segunda-feira, 14 de setembro de 2009

De molho!

Estava sonhando com um tempinho livre em casa para poder acertar os últimos detalhes da viagem e evitar a correria da véspera do embarque, mas não era exatamente isso que eu tinha em mente...

Contagem Regressiva

A menos de duas semanas do dia da viagem, começo a fazer mentalmente a lista de coisas ainda pendentes. Roteiro definido: ok. Albergues escolhidos: ok. Documentos: ok. Fíbula fraturada: ok. Ops, mas isso não estava no script!!!

Pois é assim que eu me encontro faltando 15 dias para botar o pé na estrada. De bota robocop e muletas, estou há seis dias de molho em casa sem poder pisar no chão nem pra tomar banho! Estou com uma fratura por estresse na fíbula direita devido aos meus treinos de corrida. Me disseram que exagerei, eu digo que me empolguei. Encontrei algo que me dá muito prazer e pretendo retomar meus treinos assim que voltar das férias, mas, no momento, estou mais preocupada em me recuperar a tempo de poder fazer uma viagem tranquila e sem maiores problemas. Ninguém merece ficar com dores no tornozelo em pleno deserto do Atacama ou, pior ainda, durante o trekking de Mendoza. Mas estou bastante confiante de que semana que vem sairei da minha consulta ao ortopedista sem bota, sem muletas e, principalmente, sem dor.

Vendo as coisas pelo lado positivo, posso comemorar porque ganhei muitos dias livres em casa para ajeitar as últimas pendências relativas a viagem. Já estão escolhidos os três albergues onde ficaremos hospedadas, mas só fizemos a reserva no primeiro, em Santiago. Como faremos uma trilha de dois dias em Mendoza, nossas diárias dependerão dessa noite em que dormiremos fora (muito provavelmente em Uspallata). Combinei com a equipe do albergue Campo Base que acertaremos tudo assim que chegarmos a Mendoza. Quanto ao Atacama, ainda nada decidido - deixamos para comprar as passagens no próprio aeroporto de Santiago, já que o preço, se comprada aqui no Brasil, é absurdamente mais alto. Com isso, preferimos deixar para fazer o contato com albergue apenas quando estivermos com as passagens em mãos. Mas já elegemos nossos preferidos:

- Santiago: Hostel Bellavista
http://www.bellavistahostel.com/

- Mendoza: Hostel Campo Base
http://www.hostelcampobase.com.ar/

- San Pedro: Don Raul
http://www.donraul.cl/

Ainda faltam acertar aqueles últimos detalhes bastante chatos, mas de grande importância. Seguro de viagem (ninguém deve viajar sem um, a gente nunca sabe o que pode acontecer) e troca de dinheiro (estamos com um orçamento de 70 dólares por dia, já incluindo os passeios, alimentação, estadia e passagens terrestres). De forma alguma pretendemos repetir os erros do passado, até porque pisar na bola duas vezes já é burrice. Dessa vez, o cartão de crédito viaja junto como integrante fundamental para o sucesso da expedição e bem estar das viajantes. Que alegria!

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DICA: Ao usar cartão de crédito em viagens para o exterior, nunca deixe de avisar a operadora do cartão sobre o destino e a duração da viagem. Qualquer movimentação suspeita com o seu cartão (se não for devidamente avisada) pode causar o bloqueio do mesmo e, claro, muita dor de cabeça. Uma simples ligação evita todo esse transtorno.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

WAR

Descobri que meu mapa de viagens hoje ficaria assim. Confesso que fiquei meio desapontada. O total de 15 países que eu já visitei representam apenas 6% desse mapa...











Aí, pra me alegrar, fiz um novo mapa com todos os lugares que eu sonho poder conhecer em breve... Pensando bem, acho que vou precisar de muito mais do que 30 dias por ano!!
OBS: faltou a Antártica nesse mapa!!! Importantíssimo!











Quer colocar num mapa todos os lugares que já conheceu? Acesse http://www.world66.com/myworld66/visitedCountries.

Próximo destino

Falei tanto em sonhar e partir e até agora não apresentei nosso novo destino. Digo nosso, porque, mais uma vez, não estarei sozinha nessa nova empreitada. Da expedição original a Bolívia e Peru restamos apenas Iraman e eu, mas ganhamos uma nova companheira de aventuras: nossa velha amiga Marcia. Faltando apenas quinze dias para botarmos o pé na estrada juntas novamente, temos a certeza de que outra grande aventura nos espera: Santiago, Mendoza e, por fim, San Pedro do Atacama. Se quando partimos há quatro anos, Machu Picchu era nosso maior objetivo e grande sonho de consumo, dessa vez, o deserto do Atacama é a verdadeira estrela da viagem. Enquanto Santiago entrou no roteiro pelo motivo óbvio, Mendoza surgiu a princípio como passeio de fim de semana, mas aos poucos foi recebendo a atenção merecida. Há alguns meses, estava tão empolgada com tudo o que havia descoberto sobre a região, que até deixei o deserto chileno de lado por um tempo. Infelizmente, o que mais me atraiu na nossa passagem pela Argentina teve que ficar de lado: a trilha de três dias até o acampamento base do Aconcágua, chamado Plaza Francia, só poderia ser feita a partir de meados de novembro, tarde demais para nosso cronograma. Minha decepção na hora foi enorme, mas são coisas que a gente tem que saber lidar na hora de planejar uma viagem: nem sempre dá pra fazer tudo de uma vez só. Como consolo, decidimos fazer um trekking de dois dias pela região da Alta Montaña, de onde iremos, como consolo, apenas avistar o Aconcágua. Ao invés de duas noites acampadas em barracas na montanha, um pernoite em (aparentemente) confortáveis chalés . Pensando bem, não me parece má idéia.

Mas não pensem que andei todos esses anos apenas sonhando em partir. Meus trinta dias de férias são sagrados e nunca desperdiçados. Viajei pelo nordeste brasileiro - Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte - pela Argentina - Buenos Aires e Bariloche - e fiz "aquele" mochilão simbólico, quase um rito de passagem, pela Europa - Itália, República Tcheca, Alemanha, França e Espanha. Não sei bem por que deixei de relatar minhas andanças pelo mundo nesses últimos anos, nem mesmo por que resolvi voltar a escrever agora. Mas uma coisa é certa: estou sentindo a mesma ansiedade e a mesma alegria de quatro anos atrás, quando botei, pela primeira vez, um mochilão nas costas e saí por aí. E me deu uma vontade danada de dividir com todo mundo minha nova aventura.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Valeu, Google!

(*) Sim, a frase é de Amyr Klink. Está no livro Paratii.

Como eu só li Mar sem Fim, tive que apelar pro Google. Mas acreditem, descobrir essa fonte foi mais difícil do que pode parecer. As pessoas precisam parar de sair repetindo por aí, como robôs, o que escutam ou lêem. Nem mesmo num site chamado Pensador.com (???), foi citada a fonte do pensamento em questão. Fica aqui a minha crítica!

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir"

Já me deparei com essa frase, atribuída a Amyr Klink, em dezenas de sites sobre viagens e fóruns de mochileiros de todo o mundo. Se a frase é dele ou não, fica a dúvida, pois não consegui encontrar a fonte original em nenhuma das vezes em que encontrei a citação. Coisas da internet... Não costumo me apegar a frases de efeito, e detesto ficar citando-as por aí na falta de algo melhor para dizer, mas preciso admitir que tenho um apego todo especial a essa do título. E também espero que seja mesmo do Amyr, a quem eu passei a admirar e respeitar muito depois de ler suas incríveis jornadas.
O fato é que essa frase faz muito sentido pra mim. Ainda mais quando vejo pessoas a minha volta que se dizem loucas para conhecer tal cidade ou ver aquele monumento, e que simplesmente não conseguem botar o pé na estrada. Falta tempo, falta dinheiro, falta planejamento, falta roteiro, falta companhia. São tantos os empecilhos, que eu comecei a perceber que partir é muito mais difícil para algumas pessoas do que eu imaginava. Acho que muita gente prefere continuar sonhando.
Mas não me entendam mal. Considero o "sonhar" uma parte essencial da viagem. Não tem nada mais prazeroso do que escolher o "sonho" da vez, a nova meta, o novo destino e ir, aos poucos, dando rumo a nova aventura que está para começar! Sou daquelas que passam horas na internet pesquisando tudo sobre o lugar para onde pretendo ir, descubro as dicas, fico por dentro das roubadas, saio a procura de livros, guias, revistas, converso com pessoas que já estiveram lá...no meu mais novo sonho de consumo. E não paro por aí. Faço verdadeiros dossiês com tudo o que eu descobri, rabisco possíveis rotas, crio até planilhas para desenhar o roteiro (e encho a caixa de email das minhas companheiras de viagem com a mesma empolgação). E mesmo com tudo isso, posso afirmar: não sou neurótica com organização, muito menos cautelosa em excesso. Faço tudo isso porque simplesmente amo sonhar. Mas amo mais ainda, partir.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Adiós!

Da Bolívia ao Peru, percorremos seis cidades em vinte e oito dias com um mochilão nas costas e a cabeça nas nuvens. Exploramos lugares inóspitos, nos perdemos em cidades barulhentas, coloridas e pobres, mergulhamos de corpo e alma numa cultura secular, altamente espiritualizada e muito rica em rituais, tradições, crenças, música, arquitetura, arte e tudo mais que se pode imaginar! Uma viagem ao coração da América Latina, planejada com muito carinho e muitas expectativas e realizada com paixão. Na bagagem de volta pra casa, além de lembranças e fotografias, um grande auto-conhecimento e uma enorme vontade de botar o pé na estrada de novo.



sábado, 30 de maio de 2009

Lima

26° ao 28° dias

Não tenho muito o que dizer a respeito da nossa estada em Lima. A falta de grana nos fez ficar no pior albergue de toda a viagem (e olha que até pelo deserto a gente andou) sem ter muito o que fazer a não ser tomar uma cervejinha na padaria do outro lado da rua. Também não achei Lima muito interessante, talvez porque eu estivesse vindo de Cusco e de outras tantas cidades lindas e charmosas que conhecemos o longo da viagem. Ou talvez porque chegar em uma cidade grande, poluída e com um trânsito completamente caótico depois de quase um mês apreciando desertos, lagoas e picos nevados seja um pouco traumático. Quem sabe começar o roteiro por Lima seja mais interessante? Fica a dica...

Porém, tenho que assumir que ao longo dos dois dias que ficamos por lá vimos algumas coisas bem interessantes. A começar pelo sítio arqueológico Huaca Pucllana, ruínas de uma pirâmide pré-colombiana, no centro de Miraflores, o bairro mais descolado de Lima.


Com o Mirabus, descobrimos um jeito rápido e razoavelmente barato de conhecer a cidade. Como estávamos sem tempo, foi a melhor maneira de percorrer, em uma tarde, a Plaza Mayor, a Catedral, a orla do Pacífico, etc. Infelizmente, não tivemos tempo de visitar os inúmeros museus da cidade, nem grana pra degustar a famosa gastronomia local. Muito provavelmente perdemos o melhor de Lima.


O clima na cidade também não ajudou muito no processo de tentar simpatizar com a cidade. Apesar de não chover nunca por lá, o céu vive nublado, uma vez que as nuvens não conseguem ultrapassar a barreira da Cordilheira dos Andes. Tampouco a poluição. Então, imaginem a loucura: um lugar árido, mas onde a umidade relativa do ar é alta e a poluição idem. Eu que já andava meio sem voz por conta dos excessos em Cusco, recebi o golpe de misericórdia do processo alérgico que o clima de Lima me proporcionou. Eu rouca e tossindo muito, Iraman com o pé ainda prejudicado e Isa gripada. Foi nesse cenário pós-guerra que a gente se despediu do Peru. Doentes, cansadas, sem dinheiro e muito, muito felizes!!

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Esperando horas para confirmar a passagem de volta pro Rio.





Muito luxo no Hotel Monastério...
...e muito lixo na cozinha do nosso Hotel.



Nos despedimos de Cusco em grande estilo: bar Los Perros!


Último dia em Cusco

24° dia

Como eu já havia adiantado, a falta de grana pesou nos nossos últimos dias de viagem. Ainda tínhamos quatro dias pela frente e o orçamento andava cada vez mais curto. Uma vez que já tínhamos garantido o boleto turístico, pelo menos a entrada em alguns museus e igrejas já estava garantida. Antes de bater perna pela cidade, tivemos que passar numa agência de viagem na Calle Sol para confirmar nossa passagem de volta pro Rio. Uma tarefa que se tornou muito mais demorada do que estávamos esperando. C'est la vie...

Saímos de lá já meio tarde e um pouquinho mal-humoradas. Seguimos até San Blas, um bairro fofo de Cusco, pra conhecer a igualmente fofa igreja de San Blas. O grande atrativo dessa igreja é um púlpito feito a partir de um único pedaço de madeira e considerado uma verdadeira obra-prima. Perto da praça da igreja e através das ruas do bairro existem inúmeros cafés, restaurantes e lojinhas de arte e artesanato. Um bairro bastante descolado...

Aproveitamos que estávamos pelas redondezas e fomos tentar conhecer o famoso Hotel Monastério. Digo tentar porque a gente não tinha idéia se o hotel estava aberto a visitas. Trata-se do hotel mais luxuoso da cidade, construído nas instalações do antigo monastério Santo Domingo. Tivemos a sorte de ter sido atendidas por um recepcionista extremamente simpático que, com muito gosto, nos levou pra conhecer as dependências do hotel. Realmente, tudo por lá exala a luxo e riqueza, desde pinturas seculares nas paredes até uma igreja revestida a ouro, que hoje é utilizada como salão de festas. Nos quartos existem verdadeiras obras de arte, sem contar os aposentos especiais que ajudam na aclimatação do hóspede a altitude.

Depois de tanto luxo e riqueza, voltamos pro nosso humilde Hotel Imperial para desfrutar de um banho semi-frio e, em seguida, degustar uma salsicha com pão na nossa precária cozinha. Que pobreza... Nosso fundo monetário estava cada vez mais escasso, mas já tínhamos separados alguns caraminguás pra gastar na nossa noite de despedida de Cusco, mais especificamente no bar Los Perros. Dessa vez, não nos arrependemos da escolha. O lugar, além de charmoso, tem ótimos drinks e boa música. Ficamos horas a fio conversando, bebendo, relembrando os momentos mais especiais da nossa viagem num clima já um tanto quanto saudosista. Não tinha mais como evitar o sentimento de que nossa expedição estava chegando ao fim.


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Los Perros - Calle Tecsecocha, 436 (tel: 51 84 241-477)

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A única coisa free da noite: um mini drink azul esquisitão...








Mais uma roubada? O melhor é sorrir e continuar curtindo!
E o nosso drink preferido: pisco sour!

Imprevistos são sempre previstos...

24° dia

Os exageros da noite anterior atrapalharam nosso planos pro dia de hoje. Depois de muita dança e alguns Pisco Sour a mais, Iraman acordou com o tornozelo muito inchado por conta da queda em Ollantaytambo. Achamos por bem levá-la ao hospital. Algumas ligações para seguradora que cuidou do nosso seguro de viagem e já estávamos num táxi a caminho do hospital mais próximo. Lembrando que, em Cusco, andar de táxi já é uma aventura em si.

Chegamos vivas ao hospital, mas ainda tínhamos outro desafio pela frente: tentar não levar uma volta da atendente da clínica. Por incrível que pareça, até lá tentaram passar a perna na gente. Mas nada que mais algumas ligações pro Brasil não resolvesse. Passada a revolta inicial, até que fomos bem atendidas dali em diante. Tive que acompanhar a Iraman na consulta para tentar ajudar na comunicação com o médico com todo meu espanhol recém aprendido no CCAA. Até que deu pro gasto. Por sorte não havia acontecido nada de muito grave, mas os antiinflamatórios e afins receitados pelo médico fizeram um rombo no já curtíssimo orçamento da viagem.

Nosso orçamento é uma história a parte que eu estava evitando contar neste blog. Mas agora penso que o nosso (mau) exemplo pode acabar ajudando alguns viajantes. Aconteceu que, por conta de alguns imprevistos com o banco, não consegui levar meu cartão de crédito nesta viagem. E eu seria a única a levar o cartão, visto que as meninas, na época, não tinham um em mãos. Com isso, estávamos todas apenas com dinheiro vivo. E por conta de imprevistos, pequenas mudanças de planos e alguns gastos extras (leia-se artesanatos, comida e muito Pisco Sour) o dinheiro foi acabando e a falta de verba se tornou o grande problema do final da nossa viagem. Por isso, nunca mais na minha vida viajei sem cartão de crédito. Por mais que o plano seja fazer um roteiro barato, o cartão é a garantia de que certas emergências serão sanadas a tempo e sem maiores dores de cabeça (só na hora de voltar pra casa e pagar a fatura...).

Como a grana ficou curta, acabamos excluindo Nasca do nosso roteiro e ficando muitos dias extras em Cusco. Por sorte, não faltam coisas pra se fazer na cidade, então a troca não foi de todo mal. Tomar uma cusqueña na varanda de algum bar da Plaza de Armas é um programa irrecusável. E já que a Iraman tinha recebido a recomendação médica de andar o mínimo possível, foi exatamente o que a gente fez: procuramos o pub mais convidativo e curtimos o agradável fim de tarde de Cusco.

À noite tínhamos combinado de encontrar com o Geraldo, um pernambucano que conhecemos no passeio ao Valle Sagrado. A idéia era curtir a inauguração de um bar perto do nosso hotel, pra qual tínhamos sido especialmente convidadas na véspera. Uma festinha VIP alto nível, o que pra gente significava menos dindin pra torrar à noite. Parecia a opção perfeita! Mas é claro que não foi... Não só não era bocada alguma, como tudo no bar era extremamente caro! Muitas gargalhadas depois, fomos atrás dos nossos queridos free drinks nas boates da Plaza de Armas que era mais seguro... e mais barato. Com o dinheiro contadinho em mãos, preferimos deixar a verba para a noite seguinte, a nossa última em Cusco.

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Uma fonte de água ainda em funcionamento em Ollantaytambo.


















Por do sol em Chinchero.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

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Terraços agrícolas em Pisac.
Ruínas em Pisac.


Ruínas em Pisac.


Ollantaytambo.








Ollantaytambo.

Valle Sagrado

23° dia

Passada a indigestão de ontem e depois de uma noite bem dormida, acordamos cedo pra ir ao Valle Sagrado. Fechamos um passeio com a mesma agência que nos levou a Machu Picchu. É claro que existem maneiras de ir até lá por conta própria, mas achamos que um passeio com guia seria muito mais bem aproveitado, pensando nas histórias e nas curiosidades sobre os ritos, os templos e a religião do povo andino que perderíamos se fossemos sozinhas.

Chegamos pontualmente na Plaza de Armas, lugar onde estava marcado para sair o nosso ônibus. Um grupo grande de turistas da nossa e de outras agências já se encontrava por lá. A demora na chegada da nossa condução nos fez pensar que novamente teríamos problemas, mas quando o microônibus finalmente parou na praça, relaxamos e entramos. Porém, aqui no Peru nada é tão simples assim. Assim que nos acomodamos nas poltronas, uma oficial entrou no ônibus e mandou todos os turistas descerem, alegando que o veículo não tinha permissão para circular. Enquanto os turistas tentavam entender a situação, eu e as meninas caímos na risada. Depois de mais de 20 dias viajando por lá, a gente já tava até estranhando a falta de percalços. Bom, aí toca de descer todo mundo e ficar abestalhado no meio da Plaza de Armas esperando as coisas se resolverem.

Uns quarenta minutos depois, já estávamos todos realocados em outro ônibus providenciado pela agência e a caminho de Pisac, nossa primeira parada. O Valle Sagrado dos incas é formado pelo encontro de vários rios em um vale muito fértil que se tornou o principal local de produção agrícola dos Incas. Ao longo do vale, ainda se encontram inúmeros sítios arqueológicos de antigas fortalezas e cidades, assim como povoados indígenas que habitam o local até hoje

Pisac abriga a mais tradicional feira de artesanato local e, como já estamos nos últimos dias de viagem, achamos que era uma boa hora de comprar umas lembrancinhas pra galera que tá esperando pela gente em casa no Rio. A feirinha tem de tudo: roupas, artesanato, comida típica... Uma delícia! Aproveitamos para visitar as ruínas do morro Intihuatana, com seus terraços agrícolas, templos, monumentos e uma vista belíssima de todo o vale. Como a caminhada é longa nessa parte do passeio, fizemos um pit-stop para o almoço antes de seguir para Ollantaytambo, nossa próxima parada.

Ollantaytambo, o sítio arqueológico mais bem preservado da região, abriga um enorme complexo militar, religioso e administrativo dos Incas. Sua arquitetura monumental com seus muros gigantescos é deixar qualquer turista boquiaberto. Seguimos a Magali, nossa ultra alegre guia, para desbravar as ruas e os longos caminhos de lá. Obras como o Templo do Sol, com suas pedras enormes perfeitamente encaixadas umas nas outras, mostram a eficiência e o total domínio das técnicas de construção e transporte dos Incas.

Tem que ter perna e fôlego pra dar conta das escadarias dos terraços agrícolas de Ollantaytambo, mas a vista que se tem lá de cima compensa cada degrau subido. Depois de desbravar todas as esquinas, as pedras, os templos e ouvir suas histórias, começamos o caminho de volta ao ônibus, mas, antes, uma pausa para conhecer a fonte sagrada de água. Nesse momento, notei que estava sozinha no meio dos gringos e que minhas companheiras de viagem tinham ficado pra trás. Mas as histórias de Magali estavam tão interessantes, que não me preocupei em procurá-las.

Finalmente, reencontrei as meninas com cara de poucos amigos. Só aí notei que Iraman estava toda suja de terra. Resumindo a história, ela tinha torcido o pé na descida da escadaria, caído e desmaiado. Um espetáculo completo que mobilizou uma penca de turistas e deixou minha companheira de viagem mais animada com o tornozelo dolorido e inchado! Passado o susto, estávamos todas juntas novamente no ônibus a caminho de Chinchero, nossa última parada.

Chegamos lá já no fim da tarde e, depois de conhecer a igreja local (muito linda por sinal), tivemos um tempo para dar uma volta pela feira de artesanatos e tirar algumas fotos. Nesse momento tivemos que botar em prática toda a nossa simpatia e paciência pra aturar a horda de crianças que te seguem incansavelmente, pedindo (ou seria implorando) para você comprar alguma coisa pra elas. "Comprame, señor! Comprame!" Já haviam me dito que era sempre bom ter balas, canetinhas e outras coisas fofas para dar à criançada, e sempre achei um exagero. Mas talvez essa técnica tivesse me poupado de tamanha perseguição.

O por do sol nos presenteou com algumas linda fotos em Chinchero, mas também trouxe um frio de lascar. Era hora de voltar. Chegamos a Cusco já de noite e fomos dar uma relaxada no hotel antes de sair novamente. Iraman estava com o tornozelo bastante inchado, mas nada tira o sorriso e a disposição dessa menina... Em poucas horas, estávamos no Mama África degustando um belo Pisco Sour, ao som de La Tortura, Camisa Nega e outros hits locais.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

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Qorikancha e Convento Santo Domingo.



















Deitar nesse gramado e apreciar essa maravilha inca é programa certo!

















Pátio interno do Qorikancha.




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Dia de festa em Cusco!










Amigos e familiares se reunem...
...para assistir ao desfile do Colégio Cenesiano.

QORIKANCHA

22° dia

Nossa peregrinação por Cusco começou um pouco mais tarde do que o costume. Depois de tantos dias na estrada (e alguns free drinks na véspera) já estávamos mostrando um certo sinal de cansaço. Tomamos o café da manhã sem graça do hotel e saímos. Pra nossa surpresa, a Plaza de Armas estava completamente abarrotada de gente, numa grande festa no meio da cidade. Pergunta daqui, pergunta dali, descobrimos que se tratava de um desfile comemorativo do Ciensiano (aquele do time de futebol...), um colégio tradicional de Cusco. E tivemos a sorte de acompanhar esse lindo dia de festa, com muita música, dança (as crianças dançando era a coisa mais fofa do mundo!) e alguns turistas entusiasmados com o espetáculo inesperado.

Muitas fotos depois, seguimos pro nosso destino inicial: o Quorikancha. Trata-se do mais importante templo inca da cidade, sobre o qual os espanhóis construíram o Convento de Santo Domingo, na época da colonização. Muito do que foi o templo continua lá e é impressionante ver a riqueza da construção inca em comparação com as paredes sem-graça do convento espanhol. Aproveitamos para ver também o museu que existe no subsolo, bem interessante. Com o boleto turístico nas mãos, você pode garantir o acesso a todos esses museus e sítios arqueológicos. Fica a dica!

Gastamos boa parte do dia por lá, realmente tem muita coisa pra ver. À noite, pra repor as energias, resolvemos encarar mais uma vez a pizza quilométrica. Só que dessa vez, não se tratava de um grupo enorme de pessoas recém-chegadas de Machu Picchu. Mas mesmo assim, insistimos em dar cabo, sozinhas, da tal pizza gigantesca. Até conseguimos acabar com ela, mas acabamos com a nossa noite também, porque a indigestão depois foi tanta que ninguém teve coragem de propor uma noitada. Saímos do restaurante direto pro hotel dormir. Alguém trouxe sal de frutas??

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Boleto turístico: Preços e circuitos no site http://www.boletoturisticocusco.com/

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Banho de história

21° dia

Depois da boa noite de sono, acordamos com as energias renovadas e prontas para bater perna pela cidade. O primeiro destino eram as igrejas localizadas na estonteante Plaza de Armas. Começamos pela Catedral, belíssima obra construída pelos espanhóis (com mão de obra indígena, claro) sobre um palácio inca. E mais, utilizando blocos de pedra do gigantesco templo Sacsayhuamán. Assim que pisamos na catedral ficamos de queixo caído. É muito linda e tem muita história pra contar!! As pinturas receberam forte influência do povo andino e na representação da Última Ceia, Judas aparece com o rosto igual ao do conquistador espanhol Pizzaro. Sem contar os inúmeros espelhos, colocados alí pra refletir a luz do sol e convencer os índios a entrarem na igreja, uma vez que eles veneravam o Deus Sol. Passamos uns bons minutos ouvindo essas e outras histórias contadas por um dos jovens guias que ficam a disposição dos turistas em troca de uma boa gorjeta.

Continuamos nosso banho de cultura e história na outra igreja da Plaza, a Compañía de Jesus e seguimos para o Museu de Arte Precolombino. No caminho, aproveitamos para tirar uma fotinho ao lado da famosa Piedra de los 12 angulos! Clássica!

No fim do dia, já exaustas de tanto perambular por aí, resolvemos encarar uma outra missão: desfrutar da cozinha do nosso hotel. Como a grana tava curta, ou melhor, curtíssima, achamos que seria uma boa idéia nos abastecer no supermercado mais próximo e cozinhar por nossa conta. Só não contávamos com a precariedade da cozinha e, principalmente, das panelas. Resumindo a história, tivemos que fazer a nossa tão esperada macarronada numa chaleira. Nem precisa dizer mais nada...

Depois de degustar nosso banquete improvisado, saímos para curtir mais uma noite em Cusco. O mesmo esquema: free drinks a torto e a direito, muitos gringos doidões e músicas inesperadas. Parada obrigatória no Mama África. E diversão garantida.

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Foto clássica! Piedra de los 12 angulos.














Cusco não é linda?


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Músicos à bordo.














O simpático ônibus que faz o city tour em Cusco.










terça-feira, 26 de maio de 2009

Um dia à toa em Cusco

20° dia

A volta da noitada de ontem já deixava bem claro para todas que o dia de hoje seria mais devagar. Free drinks e Cusqueñas à parte, a gente bem que merecia um dia de descanso depois de vinte na estrada, passando por tudo o que a gente passou.

Já tinha visto passar pela Plaza de Armas um ônibus igual àquelas jardineiras que existiam no Rio de Janeiro quando eu era criança e descobrimos que ele saía de hora em hora proporcionando aos turistas um agradável city tour. Já que a proposta do dia era fazer o mínimo de esforço, resolvemos assumir nosso lado turistão e embarcar nessa pra poder, finalmente, fazer um passeio sem imprevistos.

Superada a ressaca do dia anterior, pegamos o simpático ônibus turístico cusquenho. À bordo, meia dúzia de gringos e um casal de peruanos vestidos à caráter responsável pela trilha sonora. A música andina, em geral, é bem festiva e animada, mas a cantora privè do nosso tour cantava igual àqueles mosquitinhos chatos que não te deixam dormir à noite! Parecia que ela estava chorando, agonizando. Hilário. O tour percorre, sem paradas, os principais pontos da cidade, o que pode até ser uma boa pedida pra quem quer passear um pouco por lá despretensiosamente. Ainda mais num dia chuvoso como aquele. O ponto final é o Cristo Redentor (sim, eles também tem um Cristo, mas em versão pocket), onde os passageiros podem saltar para contemplar a vista da cidade e tirar fotos. O problema é que, justo naquele dia, o dia em que queríamos descansar e fazer um passeio sem imprevistos, choveu granizo. Muito granizo. Enormes pedras de granizo batendo no teto e nas janelas da nossa frágil e saudosa jardineira. Não demorou muito pras goteiras aparecerem e começarem a molhar todo mundo por lá. Tivemos que esperar o mau tempo passar parados lá no alto no Cristo Redentor, lá de onde veríamos a grande vista da cidade e saltaríamos para tirar fotos. Impossível. E o mais incrível foi que a cantora-mosquito não parou de cantar nem por um segundo.

Depois da nossa aventura não programada, tiramos o resto do dia pra bater perna pela cidade, o que é um jeito maravilhoso de se passar o tempo em Cusco. A cidade é linda, colorida e respira história! Um dia à toa por lá é simplesmente delicioso!

Terminamos o dia mais tranquilo da viagem no nosso já cativo restaurante La Trattoria. E depois de uma macarronada super bem servida, só conseguimos pensar em... cama! Enfim, uma boa noite de sono depois de muito tempo. Até amanhã.
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