
Meninas! Pé no chão! E pé na estrada! Vamos deixar a maquiagem de lado, o salto alto pra trás e jogar todas as frescuras pro alto. É hora de botar o mochilão nas costas e encarar as maravilhas e os perrengues que a estrada tem pra oferecer! E boa viagem!
sábado, 17 de março de 2007
Pollo? Não...Pizza!!
Antes de ir comer fomos dar uma andada nas ruas, que à noite fica cheia de gente. Me lembrou um pouco as ladeiras do Pelourinho. Umas comprinhas daqui, umas amizades dali (cruzamos com os primeiros brasileiros da viagem, dois garotos de Minas), mas a fome falou mais alto! Depois de muito procurar, encontramos a pizzaria Bella Itália em plena La Paz! Um lugar cheio de charme, boa música e bem freqüentado...perfeito pra nossa noite de despedida! Lá fora fazia um frio de lascar, e a gente queria mais é que a noite rendesse muito lá dentro! Mas, cuidado com o que desejas! A porcaria da pizza demorou uma eternidade pra sair e a gente já tava querendo comer um dedo naquela mesa! Mas valeu a espera, a pizza tava ótima! E não faltou o ketchup Kris, o preferido dos bolivianos!!
Não voltamos muito tarde pro hotel. No dia seguinte, partíamos pro Salar de Uyuni bem cedo.
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Pizzaria Bella Itália
Calle Illampú, quase na esquina da Calle Sagárnaga.
Tiwanaku
Na vépera tínhamos fechado o passeio a Tiwanaku no Diana Tours, uma agência que fica no nosso próprio hotel. Já tínhamos tentado no Albert Tours, mas não rolou nem um descontinho. E aqui, em tudo rola un descontito. Mesmo em portunhol, sempre dá pra chegar a algum acordo interessante as duas partes. E já que gostamos do atendimento lá no Diana Tours, aproveitamos pra fechar nossa ida ao Salar de Uyuni com eles também.
Acordamos por volta das seis depois de uma noite um tanto quanto agitada. A Iraman tem dormido muito mal desde que chegou. O ar aqui é muito seco e, além de rachar o lábio, acaba com o nariz e com a garganta. A coitada acordou com o nariz sangrando muito no meio da noite. Toda hora tinha alguém acordando por algum motivo, todo mundo tossindo, enfim, o sono não deu muito pro gasto essa noite.
Tomamos nosso farto café-da-manhã e pegamos o ônibus que já estava esperando pela gente no hotel. Não era um daqueles coloridões que vemos pela cidade. Até que seria mais divertido do que o ônibus de turismo de sempre.
A viagem até Tiwanaku durou pouco mais de uma hora. A Isa apagou mal nos acomodamos no ônibus. Passamos por El Alto, a parte “pobre” de La Paz, onde vivem muitos índios que vieram a La Paz atrás de trabalho, mas tiveram que se alojar fora da cidade devido à superlotação. O mais impressionante de lá é a vista que temos de La Paz. Um mar de casas marrons que mal se destacam do restante da paisagem árida. Descobrimos que as casas não são pintadas ao final da construção, porque, depois de pintada, elas são dadas como “prontas” e aí o imposto é muito mais alto do que o das casas ainda “em construção”. Resumindo, todas as casas de La Paz e El Alto são laranjas, da cor do tijolo, apesar de por dentro estarem prontinhas pra morar. Interessante, não?
A estrada corta um planalto totalmente deserto, principalmente agora no inverno, que é época de seca. Mas parece que no verão, tudo se cobre de plantações: mais de 200 tipos de papas! Uau... é batata pra chuchu!! De vez em quando, surge uma ou outra casa, tão distantes umas das outras, que não dá pra entender o que aquelas famílias fazem por ali. Nenhuma plantação, nenhuma escola e muito menos hospital por perto. Somente uma ou duas lhamas e um burrinho com cara de fome.
Como estamos perto do dia da independência da Bolívia, vimos pelo caminho muitos desfiles de crianças carregando a bandeira, acompanhando uma bandinha com meia-dúzia de instrumentos.
Chegamos, enfim, e o sol estava de rachar. É a parte chata de começar a descascar a cebola. Tira anorak. Depois tira o casaco de baixo. Depois morre de calor porque não tem como tirar a blusinha de baixo da camiseta! E sai pendurando tudo onde dá, até porque você já está superlotada com câmra, garrafa d’água, protetor labial, protetor solar, guia... Quando pinta a vontade de ir ao banheiro, então, melhor tirar uns bons minutos pra não se estressar. Porque aí tem a calça, a ceroula e ainda uma doleira no caminho pra atrapalhar!!!
Tiwanaku era um centro econômico, político e religioso que foi destruído pelos espanhóis (como tudo por aqui...) que queriam converter os índios ao catolicismo. O sítio arqueológico está muito bem preservado e existem partes ainda sendo escavadas. Foi habitado por civilizações pré-incaicas que tinham conhecimentos avançados na matemática, engenharia e astronomia. Nas horas vagas, quando deixavam os números de lado, bebiam Tchitcha, bebida de milho fermentado usado em cerimônias religiosas. Ficava todo mundo doidão!! =)
Mas esse não era o habito mais estranho do povo de lá. Pra se diferenciar da ralé, a alta sociedade de Tiwanaku usava cintos na cabeça quando criança pra ficar com o crânio deformado quando adulto. Essa gracinha provocava fortes dores de cabeça, o que fez com que o povo “tiwanaquês” já fizessem operações na cabeça das pessoas séculos antes dos europeus sonharem em abrir o cocoruto de alguém. Sem matar, é claro.
Depois da visita ao museu e ao sítio, fomos levados a um restaurante entupido de turistas ali mesmo. Tinha umas mesas enormes com toalhas coloridas e um astral muito bom. Eu e Isa aproveitamos pra experimentar a Paceña, a loira dos bolivianos. Poderia até ser gostosa se tivesse vindo gelada. Vamos dar uma segunda chance. “Sai outra. Só que bien helada dessa vez, por favor!”. Veio fresquinha. Tudo bem, não estava tão ruim assim. Dessa vez todas as quatro pediram pollo com papas, pra garantir. Só estamos no terceiro dia de viagem e confesso que já tô enjoando de comer pollo com papas. Mas tudo bem, esse estava uma delícia e todas nós comemos com muito gosto! Ah, e de entrada comemos, pela primeira vez (em dezenas de outras vezes), a sopa de quínua, o ceral mais comido em Tiwanaku e por toda civilização andina até os dias de hoje. Tem altíssimo valor nutricional...e pouquíssimo sabor. Na verdade, parece uma sopa de arroz. Nada que não dê pra comer. E já que eu estava com fome, como sempre, adorei a entradinha!!
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Entrada no sítio arqueológico e no museu = U$ 10
Curiosidade
*Significado das cores da bandeira da bolívia:
Vermelho = sangue dos soldados
Amarelo = ouro
Verde = florestas
*Já a bandeira dos índios parece bandeira dos gays: toda colorida!! Cada cor corresponde a uma tribo!
PAUSA PARA FOTO
Chá de coca pronto pro consumo. Alguém passa o adoçante?
Museo de la Coca

Uma breve cronologia:
- Foram descobertas folhas de coca nas tumbas de Huanca Pietro (Peru) do período de 1800 a 2500 a.c.
- Civilização Inca: entre outras tantas finalidades, a coca também produzia um óleo que atuava como anestesia em cirurgias cerebrais!
- 1880: a cocaína é incluída na lista oficial de drogas farmacêuticas.
- 1840: Freud publica Über Coca e se transforma no primeiro consumidor de cocaína da história.
- 1886: Se comercializa a primeira bebida sem álcool a base de coca: a Coca-Cola.
- 1950: os EUA decidem erradicar a coca. H.Fonda alega que ela “produz retardo mental e é a causa da pobreza latino-americana”. As Nações Unidas proíbem o plantio da coca na Convenção de Genebra, 1961.
- Em 1978, 92% dos homens e 89% das mulheres na Bolívia mascavam coca.
Domínio espanhol e a coca
Durante a conquista espanhola, a coca se tornou a base da alimentação dos escravos (leia-se: índios) famintos. Com as propriedades energéticas e alimentícias da coca, os andinos conseguiam suportar o trabalho escravo nas minas. Virou a “poção secreta” para a sobrevivência e, por isso, ganhou áurea divina, que se mantém até os dias de hoje. Em toda a cerimônia mágico-religiosa andina, a coca está presente.
Nas minas, a coca ganhou um valor cambial. A relação dos mineiros e da coca era tão estreita que o preço da coca variava de acordo com o preço dos minérios, chegando a valer mais que ouro e prata.
Paulino Estebán (índio Aymará) que mascava coca assim como seus antepassados, construiu naus gigantes que cruzaram o Pacífico. Sua expedição, bem como outras, chegou à Polinésia.
Imperialismo norte-americano e a coca
Os EUA representam 5% da população mundial e consome 50% da cocaína de todo o mundo. A cada ano, um milhão de americanos experimenta cocaína pela primeira vez. A saída seria acabar com o plantio de coca e com o sustento dos “cocaleros”?
Ainda assim:
Hoje em dia a Coca-cola não contém mais coca, porém ainda a usa como aromatizante. Em 1985, comprava-se mais de 1000 toneladas de coca da Bolívia e do Peru.
*** TODAS AS INFORMAÇÕES FORAM OBTIDAS NO 'MUSEO DE LA COCA' DE LA PAZ.
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Museo de la Coca
Calle Linares, 906 - La Paz, Bolivia.
Aberto de 10:00 às 18:00
De segunda à sábado
Tel. 591 2 2311998
La Paz
2° dia
Não foi difícil dormir com todo aquele cansaço da viagem, mas a altitude e o ar muito seco incomodou bastante, principalmente durante a noite. As meninas estavam sentindo muito os efeitos do soroche, mas provavelmente ficariam melhor ao longo dos dias. No café-da-manhã do hotel fomos oficialmente apresentadas ao chá de coca. Ou mate, como eles chamam por lá. Coloca-se as hojas de coca no fundo da xícara e depois é só tacar água caliente por cima. Meio amargo, mas nada que umas gotas de adoçante não dêem jeito. No mais, o café era bem chinfrim. O pão era meio estranho, meio fino, meio duro e totalmente sem gosto (depois descobrirmos que por toda Bolívia o pão era assim). Uma manteiguinha aqui, uma marmelada ali e devoramos nosso café-da-manhã pra sair e conhecer a cidade.
Decidimos descer a rua e andar até a Plaza de Armas. No caminho, a Plaza San Francisco com a Igreja Nuestra Señora de Los Angeles (de 1549). Chegamos bem na hora da missa, então a praça estava cheia de pedintes. Conforme fomos deixando as ruas mais turísticas da cidade, pudemos sentir como o país é pobre e seu povo, miserável. Ao redor da Plaza de Armas já tem um área mais comercial, então começavam a aparecer os engravatados, mas sempre misturados a gente muito pobre pelas ruas. E claro, em cada esquina, uma barraquinha vendendo alguma coisa. Óculos escuros, gorros, amendoim, milho... tem pra todos os gostos e necessidades.
A Plaza de Armas é mesmo muito bonita, como em todas as cidades latino-americanas (acho que menos o Brasil, infelizmente). Ali ficam o Congresso, o Palácio do governo e a Catedral. Estava tendo alguma coisa importante no congresso, que não conseguimos descobrir o que era, pois havia vans de tv e repórteres por todos os lados!
A andança pela cidade deixou a Bella e a Iraman exaustas. Realmente, cada passo é um esforço àquela altitude. Resolvemos parar pra comer num restaurante chamado Naira, lugar que parecia muito bonitinho e limpinho e fazia um estilo vila italiana. Pra variar, eu estava faminta. As meninas estavam meio enjoadas pra comer, mas decidimos sentar e pedir alguma coisa mesmo assim. Pra não ter erro, fui no pollo (frango) com papas (batata) e as meninas preferiram a carne de res (boi) mesmo. Dica? Peçam sempre o pollo!! A carne que veio era estranhíssima!! Além do mais, o bife era gigantesco, o que deixava aquela carne ainda mais estranha. E o que só aumentou o enjoo da mulherada... Viva o frango!
À tarde fomos conhecer o Museo de Coca, que já tinha sido muito bem recomendado. E realmente valeu a visita. O museu é super simples, até mesmo meio improvisado, mas o conteúdo é de cair o queixo. Conta toda a história do povo boliviano, que sempre esteve ligada à coca, desde as sociedades pré-hispânicas até a os dias do imperialismo americano. Todos deveriam visitar esse museu. Programa imperdível pra se fazer em La Paz.
De volta ao hotel, só nos restava descansar das andanças sofridas pelas ladeiras da cidade. Nosso quarto tem TV a cabo, o que rendeu boas risadas com os programas dublados em espanhol. Aqui pega a TV Globo Internacional e pudemos acompanhar como anda a crise no Brasil e em que pé está a CPI. Também temos internet de graça. Todo mundo aproveitando mesmo as mordomias, porque era bem provável que não tivéssemos a mesma sorte no futuro.
Vôo 8880
1 de agosto de 2005
Viajamos numa segunda-feira. Sábado teve Santa Teresa de portas abertas com direito a feijoada no Mineiro e muita cerveja o dia inteiro. Resultado: arrumei minha mochila numa ressaca braba, o que me deixou meio preocupada por certamente estar esquecendo alguma coisa.
Ainda era noite lá fora quando acordei pra ir pro aeroporto. Toca de ligar pras meninas e conferir se ninguém desligou o despertador e voltou a dormir. Passaporte? Passagens? Tudo aqui, partiu!
Tomamos um chá de cadeira no aeroporto sem grandes emoções. As meninas pediram pra embalar o mochilão com aquele plástico pra evitar de alguém abrir no caminho pro avião. Certíssimo. Só que o cara, num grande ato de esperteza, embalou tudo e não deixou as alças da mochila de fora. Ou seja, sobrou uma massa enorme e pesada pra elas carregarem nos braços, como um bebê gigante. Após o chek-in, aquela espera interminável pra entrar no avião.
Nosso vôo saiu na hora. Na hora do café da manhã. Que depois virou na hora do almoço. E nada da varig amiga servir comida pra gente. Pra completar, tivemos que mudar de avião em São Paulo. Uma confusão só. Quando decolamos, enfim, rumo à Bolívia, a fome já tomava conta do meu estômago e de todos os meus pensamentos. Como eu fui a única que não embalei minha mochila, acabei fazendo o chek-in antes e me botaram numa poltrona lá na frente, longe das meninas. O sono ia batendo, mas o medo de apagar e não ver a aeromoça passar com comida foi me deixando tensa. Era olho fechando, estômago roncando... “dorme que a fome passa... passa a fome e o carrinho com as comidas... Acorda!!!”
Almoço servido, tudo de volta à normalidade. Chegamos em La Paz dentro do horário. Aproveitamos pra trocar um pouco de dinheiro lá mesmo no aeroporto e pegamos um táxi rumo ao hotel. O taxista Mario ainda tentou colocar a gente no Hotel Continental, provavelmente pra ganhar um extra, mas cobraram U$40 pila num quarto pra dois. Oi? Vambora, Mario! Fomos para no Hotel Sagárnaga, que era a nossa opção inicial antes do Mario dar uma de malandro, e conseguimos um quarto pra nós quatro por U$40. Beleza, 10 por cabeça em La Paz é aceitável. Até porque por lá não temos assim tantas boas opções.
Saímos pra dar uma volta e conhecer um pouco de La Paz. A cidade é encantadoramente bagunçada, barulhenta e colorida! Diferente de tudo! Ao longo da Calle Sagárnaga e da Calle Illampu lojinhas e mais lojinhas. Artesanato, prata, feto de lhama empalhado...tem de tudo! Mas o corpo já começa a dar sinais que está sentindo a altitude. Melhor voltar pro hotel, tomar um banho e descansar!
Essa noite, comemos numa pequena lanchonete em frente ao hotel. Rolou um pressentimento forte de que aqui a alimentação não vai ser das melhores...
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HOTEL SAGÁRNAGA
Calle Sagárnaga
Quarto pra 4 pessoas /c banheiro e água quente = U$ 40
Câmbio (ago/2005): U$ 1 = 8 bol
Táxi do aeroporto pro Hotel = 40 bol
Água mineral = 5 bol
Pingente de prata + gorro típico = 50 bol (nunca deixem de barganhar!)










