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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Atacama - 1a. tentativa

Finalmente chegou o grande dia de partir pro Deserto do Atacama. Santiago já tinha dado o que tinha que dar e era hora de seguir viagem. Ainda tínhamos a manhã livre, pois nosso vôo saía apenas no começo da tarde, então aproveitamos para tentar conhecer La Moneda, sede da Presidência da República que foi bombardeada durante o golpe de Estado e onde morreu o então presidente Salvador Allende. Tínhamos a informação no nosso guia de viagens de que o palácio ficava aberto ao público durante um período da manhã, mas demos com a cara na porta. Nada de visitas, e tivemos que nos contentar com a troca da guarda e meia dúzia de fotos.


De metrô, corremos de volta ao albergue, check out feito, mochilas prontas e toca pro aeroporto. Tudo correndo maravilhosamente bem, até a fila do check in estava minúscula. Nada podia dar errado. "Señora, su vuelo no es hoy" me disse a moça do guichê, com cara de pena. "Como?" eu entendi errado, com certeza! "Su vuelo es mañana, señora". Olhei pra trás e vi nos olhos das minhas companheiras de viagem - boquiabertas - que eu tinha entendido direitinho. Rimos. Rimos muito! O que mais a gente podia fazer numa hora dessas? Tinha havido alguma confusão com o calendário na hora de comprar os bilhetes, pois acreditávamos que tínhamos pedido para um dia e a mulher vendeu pro dia seguinte! Na confusão da chegada, ninguém conferiu as passagens e lá estávamos nós, três idiotas empacando a fila do check in tentando imaginar o que fazer. De nada adiantou chamar todos os funcionários da companhia aérea pra tentar colocar a gente no vôo do dia. O jeito era voltar pro albergue. Ai, meu Deus, que vergonha, voltar pro albergue e dizer que queríamos ficar mais uma noite porque erramos o dia de embarque. Enfim... encaramos o papel de malucas com bom humor e viramos o assunto do dia por lá. E eu nem precisei contar que já tinha passado por isso em outra viagem. Mas isso já é outra história.


Àquela altura o dia já parecia perdido, mas o tempo resolveu ajudar e, finalmente, conseguimos fazer o que até então estava sendo impossível: simplesmente vagar pela cidade, sem rumo certo nem hora pra voltar. Andamos até Providencia, bairro com grande concentração de bares e restaurantes, como o Liguria. Depois da nossa andança (e da nossa novela no aeroporto), o estômago já pedia uma pit-stop, e foi lá mesmo que a gente parou. Meio bar, meio restaurante, o Liguria chama a atenção pela decoração, pelo ar tradicionalíssimo e pela simpatia dos garçons. Sem dúvida, vale a visita, nem que seja pra tomar uma cervejinha no fim do dia. Nossa caminhada de volta ao hostel foi abençoada por um belíssimo pôr-do-sol, agora sim digno de uma despedida da cidade.

PAUSA PARA FOTO

La Sebastiana

















Sabia viver, esse tal de Neruda...

Valparaíso

No dia seguinte, nossa missão era conhecer Valparaíso e almoçar com um amigo chileno de um amigo da Iraman, no maior estilo blind date mesmo. Pegamos um ônibus na rodoviária de Santiago e, pouco mais de duas horas depois, lá estávamos nós à beira do Pacífico. Antes de mais nada, deveríamos telefonar para o tal amigo e marcar nosso encontro para o almoço, tarefa bem mais difícil do que parece, pois fazer uma ligação local nos orelhões da rodoviária foi uma verdadeira epopéia. Marcamos, enfim, de nos encontrar na entrada do Mercado Central na intenção de degustar a culinária local no lugar mais apropriado pra isso. O problema é que o tal mercado tinha, no mínimo, umas quatro entradas diferentes e, se já era difícil encontrar alguém que a gente sequer conhecia, no meio da multidão era piada. Bom, sabiámos que o cara era barbudo e cabeludo, mas assim também eram os mendigos à volta do mercado... Deu uma certa vontade de fingir um desencontro e sair rapidinho de lá, mas valeu a pena esperar para conhecer nosso host do dia, que nos levou pra dentro do mercado onde tivemos um agradável almoço chileno.


Depois da despedida, seguimos nós três nosso passeio até La Sebastiana, uma das antigas casas de Pablo Neruda e atual museu. Assim como La Chascona, em Santiago, a casa abriga uma vasta coleção de objetos de arte e pessoais de Neruda, assim como livros e escritos do poeta. Fizemos uma visita incrível usando o audioguia, que funcionou melhor que muito guia por aí. O dia estava lindo e a vista de dentro da casa é mesmo deslumbrante! Sabia viver, esse tal de Neruda...


Descemos, passeando a pé por todo o caminho até chegar de volta na rodoviária, já no fim do dia. Mais duas e horas e pouco de estrada e lá estávamos nós no hostel de Santiago fazendo as malas para partir pro Atacama no dia seguinte. Estava na hora de seguir viagem.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

PAUSA PARA FOTO


Vista panorâmica do Cerro San Cristóbal











Cerro San Cristóbal










Aqui tem Mote con Huesillo. Tem o quê?











Mote con Huesillo, ué!

De volta a Santiago

Optamos por fazer a travessia Mendoza-Santiago durante a noite já que na ida tivemos a oportunidade de curtir as belezas da Cordilheira dos Andes numa viagem diurna. Dessa vez, o plano era economizar tempo e dinheiro dormindo nas confortáveis poltronas do ônibus da chilena TurBus. A viagem correu bem até nossa tranquila noite de sono ser interrompida por uma longuíssma e gélida espera na fronteira com o Chile. Vamos combinar que não é a melhor rcepção do mundo ficar numa fila interminável, no frio e com os olhos pesando de sono. Ou tínhamos dado muita sorte na aduana ao entrar na Argentina, ou os hermanos do lado de lá são mesmo mais solidários.



Chegando em Santiago, nos acomodamos no mesmo albergue de antes, o Bellavista, e para evitar nos entregar ao cansaço e morrer ali mesmo na cama, saímos o quanto antes atrás de alguma coisa para fazer. Decidimos aproveitar que começava o fim de semana para subir até o Cerro San Cristóbal, o segundo ponto mais alto da cidade e lugar bastante frequentado pelos chilenos. De fato estava bem movimentado e família inteiras, não apenas turistas, aumentavam a fila para o funicular. Mas muita gente prefere subir por outros meios e deu pra perceber que o lugar é um ponto de encontro de ciclistas e corredores, o que me fez lembrar de casa com uma saudade passageira. O Cerro proporciona uma linda vista panorâmica da cidade e da cordilheira, além de dar um gostinho do dia a dia dos moradores de Santiago, como, por exemplo, o hábito de tomar mote con huesillos, uma bebida típica chilena. Tentamos, em vão, descobrir exatamente do que se tratava, então decidimos experimentar por conta própria aquela bebida esquisita e depois deixar o wikipedia terminar o serviço: "es una bebida refrescante chilena, no alcohólica, que se compone de una mezcla de jugo acaramelado, con mote de trigo y duraznos (pêssego) deshidratados, llamados huesillos." Um pouco doce pro meu gosto, mas bastante nutritiva para os atletas que chegam ao cerro depois de uma longa subida.

O tempo começou a fechar novamente e aproveitamos para resolver os últimos detalhes da nossa viagem pro Deserto do Atacama, a começar dali a poucos dias. Para minha surpresa, descolar o contato de algum albergue por lá é uma missão quase impossível. No site oficial de San Pedro constam poucas opções de estadia realmente em conta e havia poucas referências nos fóruns de mochileiros. Como chegaríamos no fim do dia, achamos melhor não arriscar uma peregrinação pela cidade escura e reservamos uma noite no Don Raul, hotel que parecia simples mas que ainda estava além do nosso orçamento. Com o conforto da primeira noite garantida, poderíamos sair em busca de um bom albergue com tranquilidade.
 
Quando a chuva deu uma trégua, fomos atrás de algum lugar para comer ali mesmo pelo Barrio Bellavista. Era dia de algum jogo de futebol importante para os chilenos e todos os bares estavam cheios, então sentamos no primeiro bar onde pintou uma mesa vazia. "Una cerveza por favor" pedimos rapidamente, querendo entrar também no clima de confraternização antes que aquela barulheira começasse a irritar, "y papas!" já que passava da hora do almoço e o estômago reclamava. Algum tempo sentadas ali e começamos a perceber que todas as mesas ao nosso redor tinham algo em comum: homens. E not in a good way. Guardamos a informação de que estávamos num bar gay de nossos novos amigos - um brasileiro e um inglês - que vieram se sentar com a gente. Se eles repararam alguma coisa foram muito discretos, pois ficamos ainda um bom tempo por lá até os quatro decidirem curtir o resto da noite em algum outro lugar mais animadinho.


Já eu preferi dar uma volta sozinha, acompanhada de meus próprios pensamentos e sentar em um bom café para escrever. Depois de um certo tempo na estrada e sempre acompanhada, começava a sentir falta desses momentos introspectivos e confesso nunca ter vergonha de reinvindicá-los. O resultado? Um caderno cheio anotações e lembranças impagáveis, muitas delas tenho certeza de que minha memória infelizmente apagaria assim que eu desembarcasse no Rio. Dica minha? Nunca saia de casa sem o seu Moleskine, seja ele o original charmosíssimo ou aquele bloquinho da Turma da Monica que você ganhou da sua tia no seu décimo aniversário. O que importa é nunca deixar de registrar suas impressões sobre essa experiência tão rica que é viajar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

La Chascona e Mercado Central

2° dia

A chuva não deu trégua a noite toda e o dia amanheceu feinho, feinho... Mas nem por isso desistimos da idéia de caminhar até La Chascona, a antiga casa de Pablo Neruda em Santiago. O museu fica muito perto do nosso hostel e uma caminhada por ali parecia um bom ponto de partida para conhecer a cidade, mesmo com o tempo ruim.

Bellavista é sim um bom hostel mas, como em muitos albergues por aí, o café da manhã é aquela dureza. Uns pães esquisitos (por sinal, iguais aos pães horríveis que a gente comia na Bolívia), manteiga, marmelada e café - o suco (natural da caixinha...) já tinha acabado quando a gente chegou. Mas a comilança não era das piores: o pão quando esquentado ficava razoável, o café tava saboroso, o suco devia ser gostosinho. O único problema eram os turistas mesmo, muito mal-educados! É aquela velha história, ao longo de uma hospedagem em albergue você tem a sorte de conhecer muita gente legal, mas também dá o azar de cruzar com uma galera que não prima pela limpeza nem pela boa educação. Paciência. Faz parte.

Deixamos os ogros se matando por um pãozinho na cozinha do hostel e fomos encarar o frio lá fora. As ruas ainda estavam vazias quando a gente saiu: além da chuva fina, era domingo. Foi gostoso passear pela cidade fantasma e fria, escutando apenas nossas risadas nervosas com o frio, mas felizes pela viagem que estava começando.

La Chascona foi a casa que Neruda mandou construir para Matilde, sua amante, e onde eles viveram juntos por muitos anos. A casa por si só já vale a visita, um lugar muito diferente, que conta com três ambientes interligados por escadas, pátios e até um rio. Fora isso, lá também estão inúmeros objetos de coleção do poeta - quadros, antiguidades, peças de decoração - assim como utensílios do dia a dia, como livros, cartas e louça. Apesar do vandalismo cometido pelos militares na época de sua morte, a casa se tornou um belíssimo museu que conta com visitas guiadas a toda hora e uma loja de souvenir irresistível.

Logo que chegamos, sentamos na lojinha do museu pra tomar um café bem quente e esperar pelo nosso grupo, que não demorou a sair. A visita durou aproximadamente 30 minutos e foi um mergulho na vida e na obra de Pablo Neruda. Aos poucos a gente começava a se interar melhor sobre importantes acontecimentos da história do Chile, que até então nunca havíamos dado muita atenção. E não paramos de aprender até a hora de voltar pra casa.

Depois da visita inspiradora a La Chascona, decidimos pegar o metrô até o Mercado Central e procurar algum lugar para almoçar, já que a chuva não dava trégua. Logo na chegada, fomos abordadas por um simpático garçom brasileiro que nos indicou o restaurante El Galeón. Não sei o que acontece com a gente, se são as roupas, o semblante, o cheiro, a voz... todo mundo sabe que somos brasileiras de longe, sem pronunciarmos uma palavra sequer. Muito estranho! Enfim... Antes de comer tentamos dar uma volta pelo Mercado para ver os peixes e mariscos recém chegados do mar do Pacífico, mas andar por lá não é tarefa fácil para um turista, ainda mais quando se trata de três mulheres sozinhas e com "brasileiras" escrito na testa, como nós. Fomos tão abordadas, que se locomover nos estreitos corredores do mercado ficou impossível, e assim que tivemos uma oportunidade, caímos fora dali - direto pro El Galeón!

O restaurante mais famoso do Mercado Central de Santiago é o Donde Augusto, obviamente o maior, o mais cheio e o mais caro também. Preferimos seguir o conselho do nosso novo amigo garçom e nos refugiamos no aconchegante El Galeón prontas para encarar um típico almoço chileno, mesmo que para isso gastássemos um pouquinho a mais do que previa o orçamento diário. De cara um bom vinho, (começou nesse dia a tradição de fotografar todos - e foram muitos - os vinhos consumidos ao longo da viagem) e um excelente ceviche pra abrir o apetite! Por fim, um pescado con ensalta. Delícia. Estávamos prontas pra próxima parada!

Chove, chove, chove, chuuuuuuuuuuva....

O tempo não estava ajudando o nosso momento "vamos bater perna e seguir sem rumo pela cidade"! Ali perto do Mercado fica o Centro Cultural Mapuche, mas não tinha nada rolando por lá quando chegamos. Com o frio e a chuva apertando, não tínhamos escolha a não ser voltar pro albergue. Antes, uma passada na rodoviária pra garantir nossas passagens para Mendoza. Como teríamos mais um fim de semana em Santiago antes de partir pro Atacama, nem tudo estava perdido.

A noite em Bellavista é super animada e o Patio Bellavista é uma boa pedida pra quem está atrás de restaurantes, bares, cafés e lojinhas de souvenir. Depois da noitada da véspera e já pensando na viagem do dia seguinte, nos contentamos com uma pizza e algumas cervejinhas no pub Dublin para depois voltar e cair na cama.


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La Chascona: maiores infos no site http://www.fundacionneruda.org

Restaurante El Galeón - Mercado Central de Santiago
www.elgaleon.cl
www.mercadocentral.cl/

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Pé na estrada

26/6/09 - 1° dia


Às três da madrugada toca o despertador anunciando a hora de chamar o táxi e partir pro aeroporto. Àquela hora da matina ninguém raciocinava muito bem e nós três entramos mudas e saímos caladas do carro. A fila do check-in só piorou nosso estado semi-acordado e uma vez no avião, pegamos no sono antes mesmo do decolar.

Vôo tranquilo e energias renovadas. Mas só até dar de cara com a fila monstruosa no aeroporto de São Paulo. Inacreditável e totalmente desnecessária! Não entendo pra quê revistar todas as pessoas que já passaram por toda aquela chatice no outro aeroporto. Pegamos o vôo pra Santiago já famintas e ainda recebemos de cara a agradável notícia de que nosso avião atravessaria uma área de instabilidade. A-do-ro quando o piloto bota esse terror. Resultado: o serviço de bordo foi interrompido assim que a aeromoça serviu o passageiro sentado na minha frente. Todos comiam a nossa volta, menos a gente. Ótimo! Famintas e encagaçadas com a turbulência.

Enfim comemos, dormimos, assistimos filmes ótimos e pronto: chegamos em Santiago do Chile por volta das 13h. Saímos em busca das passagens para Calama, pois já sabíamos que ia sair muito mais em conta comprá-las no próprio aeroporto. E de fato era - U$D 300.

Quando conseguimos escapar do assédio de uma enxurrada de taxistas, pegamos o Metrobus e em seguida o metrô para chegar no nosso albergue Bellavista. Ótima localização, perto do metrô e de uma infinidade de bares e restaurantes. O plano era chegar no albergue, largar as mochilas no quarto e sair em busca de um almoço decente, mas assim que pisamos no hostel a Marcia descobriu que tinha perdido a carteira (ou que alguém tinha dado sumiço nela). Aí, toca de sair correndo pro metrô, falar com segurança, moça do guichê, faxineira e nada... O jeito era se conformar e deixar isso pra trás, coisa que a dona a carteira fez com o seu bom humor e otimismo de sempre. Não adianta, viagem tem que ser em boa companhia e eu estava entre as melhores!!

Próxima parada, almoço! Peloamordedeus! Enquanto a Marcia tomava as providencias em relação ao cartão de crédito, Ira e eu nos acomodamos felizes no Galindo, um restaurante charmosinho perto do Bellavista Hostel. Antes de mais nada, "una cerveza, por favor!". Depois da segunda - ou seria a terceira - garrafa, enfim comemos. Eu quis começar fazendo jus à fama dos pescados do Chile e pedi um salmão com papas. Já as meninas preferiram arriscar um prato mais típico ainda e mandaram ver no pastel de choclo. Se é bom ou ruim, vai do gosto de cada um, mas vamos dizer que não foi a refeição preferida delas.

De volta ao albergue, ficamos sabendo que haveria um assado - o famoso churrascão - no hostel La Chimba, e que todos estavam convidados. A idéia agradou, claro, e partimos pra lá depois de uma boa e merecida soneca. Como chovia cântaros e fazia um frio desgraçado, o churrasco não estava mais rolando quando a gente chegou, o que foi compensado com muito vinho ao pé da lareira com nossos novos amigos brasileiros. A empolgação da primeira noite ainda nos levou ao bar Constituicion para algumas doses de tequila, cerveja e muita música.

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La Chimba Hostel - E. Pinto Lagarrigue 262, Barrio Bellavista, Santiago


Bar Constituicíon - Rua Constituicíon n°61


Restaurante Galindo – Rua Dardignac, n° 98