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quinta-feira, 19 de abril de 2007

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Distribuição de água por toda a cidade



















Templo do Condor



















Buscando bons fluidos














Momento contemplativo nos terraços













Marcas do tempo nos muros de Machu Picchu

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Machu Picchu


















Terraços - setor agrícola da cidade


















Templo do Sol













Pedreiras de onde os incas tiravam as pedras para construção.

















Praça principal onde ocorriam os festejos.

domingo, 15 de abril de 2007

Machu Picchu

A partir de Inti Punko, ainda encaramos uns quarenta minutos de descida até chegar definitivamente à cidade sagrada de Machu Picchu. O sítio ainda estava bastante vazio àquela hora, o que faz valer muito a pena acordar antes das cinco da manhã. Pela entrada principal já começavam a chegar os turistas que vêm de trem num rápido trajeto Cusco - Machu Picchu. Confesso que vendo aquelas pessoas chegarem arrumadas, descansadas e cheirosinhas, me senti de certa forma superior e gratificada pela experiência maravilhosa que estava vivendo, mesmo que àquela altura já estivesse exausta, imunda e cheirando a baby wipes. Nós havíamos conquistado Machu Picchu. E éramos só felicidade.

O tour pelo sítio foi liderado pela Mabi, que ia nos explicando cada pedra, cada esquina, cada monumento por onde passávamos. Aos poucos, o lugar foi enchendo e tirar fotos sem a presença de um alemão, japonês ou americano em quadro virou um desafio. Ao longo de toda a manhã percorremos corredores e escadarias ouvindo as histórias fascinantes do império inca e daquela cidade escondida na floresta tropical. Quando redescoberta em 1911 Machu Picchu ainda era a residência de duas família de pastores, embora a maior parte das ruínas já estivesse coberta pela vegetação. Depois das escavações, muros e paredes foram reconstruídos (mas não com a perfeição original, acredite) e os objetos encontrados levados para museus.

No fim da manhã, Mabi seguiu para Águas Calientes e nós tentamos continuar nossa visita, o que não durou muito, pois as escadarias já haviam se tornado um grande obstáculo para nossas pernas exaustas e estômagos famintos. Paramos pra comer na lanchonete que existe na entrada principal. Os turistas que chegavam àquela hora, barulhentos e atrasados, davam um ar de Disneylândia àquela parte do parque e, apesar do cansaço, voltamos às ruínas para deixar tanta confusão para trás. Passamos uns quarenta minutos sentadas nos terraços de onde se tem uma vista única de toda a cidade. Deitada ali, vivi o momento mais memorável da minha viagem e, por que não, da minha vida.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

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Inti Punko - Quatro amigas felizes e a paisagem que tanto esperávamos

Um pouco mais de perto... mas ainda não chegamos lá!

Enfim lá: a chegada a Machu Picchu!

18° dia

Nossa terceira, e última, noite foi um pouco agitada. Pelo menos para mim, que acordei com a Isa, minha companheira de barraca, aos berros avisando que havia alguma coisa lá dentro. Imagina como não fica uma pessoa ao acordar com gritos no meio da mata a mais de 3 mil metros de altitude numa barraca escura. Passado o pânico inicial, percebi que ela estava sonâmbula, descontrolada e decidida a acordar todo mundo no acampamento!

O show da madrugada mal tinha terminado quando os porteadores vieram nos chamar para o café-da-manhã. Ainda era noite lá fora e, mesmo com o relógio marcando quatro da matina, todos os turistas já estavam de pé. Fizemos uma rápida refeição e preparamos nossas coisas para as últimas duas horas de trilha antes de chegar ao nosso destino final.

Depois de agüentar cerca de quarenta minutos de frio e escuridão na fila do posto de controle, finalmente partimos. O clima entre os turistas era de ansiedade e muita pressa. Pela primeira vez eu vi as pessoas andando rapidamente e se esforçando para ultrapassar umas as outras. Eu mesma fiquei tensa quando precisei parar para tirar o casaco depois de passar alguns bons minutos fritando dentro dele, mas sem querer interromper a caminhada e ficar pra trás enquanto todos se apressavam em chegar. Eu estava numa verdadeira maratona.

A escadaria final é a última provação da trilha e parece interminável, mas dessa vez o cansaço não era capaz de parar ninguém, afinal, cada passo era um degrau a menos que nos separava das ruínas incas. Nos últimos metros da subida já era possível escutar gritos e palmas, mas entre os que ainda lutavam na escadaria, apenas um silêncio cúmplice de quem pensa "como vai ser quando for a minha vez de pisar lá?".

Emocionante. Essa era a resposta. Uma mistura de alívio pelo fim daquele desafio e a alegria de poder ver o sol nascendo na cidade sagrada dos incas. Inti Punko é o platô de onde se tem a primeira vista de Machu Picchu e onde dezenas de turistas se sentam exaustos, boquiabertos e pensativos por alguns bons minutos antes de começar a descida e poder, enfim, pisar num dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

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Relaxando no camping.













Ruínas acompanham todo o caminho no terceiro dia de trilha...












...e as escadarias nunca terminam!

sábado, 7 de abril de 2007

Terceiro dia de trilha

17° dia

O terceiro dia de trilha prometia ser muito mais tranquilo. Depois de ter superado subidas sem fim no dia anterior, acredito que todas nós nos sentíamos prontas pra encarar qualquer parada.

Saímos mais cedo do que de costume para passar em mais um posto de controle do governo, e o quanto antes chegássemos melhor para evitar a longa fila de turistas que se forma. Seguimos nosso caminho com o dia amanhecendo. A paisagem já começava a mudar bastante a medida que entrávamos pela floresta. Como a trilha era consideravelmente mais fácil, caminhamos juntas e a Mabi teve tempo e tranquilidade para nos mostrar os pássaros e plantas típicas da mata local. Volta e meia chegávamos à ruínas incas e parávamos para a visita, mas não para o descanso, porque a cada ruína, escadas e mais escadas esperavam por nós. Passamos por Choquesuysuy, Phuyupatamarca, Intipata e Wiñaywayna.

O almoço foi caprichado e, como sempre, carregado no carboidrato: arroz, macarrão e aipim! Pode parecer uma estranha combinação, mas estava uma delícia. Mabi acalmou nossas pernas cansadas avisando que a outra metade do dia seria apenas de descida. Pé na trilha de novo para mais quatro horas de andança. Acabamos nos separando novamente na descida. Pra baixo todo santo ajuda, mas não te carrega no colo. Haja joelho e haja coxa pra descer todas aquelas ladeiras. A última hora de caminhada foi um teste de paciência: ladeiras em zigue-zague e nada do nosso acampamento chegar. Muito exaustivo! Mas era o último dia, e pensar que na manhã seguinte estaríamos em Machu Picchu nos dava uma energia a mais.

Chegamos ao nosso destino mais cedo que nos outros dias e aproveitei pra dar uma boa descansada antes do lanche. O acampamento em Wiñaywayna é o que tem a melhor infraestrutura de todos e proporciona bar, música e cerveja aos turistas sedentos por uma noite de despedida à altura daquela experiência. Nosso jantar também teve um tom saudosista com direito a vinho e um brinde especial junto aos porteadores, os verdadeiros heróis daquela expedição. Com mais de trinta quilos nas costas, eles passavam por nós apressados para nos receber horas depois com um sorriso no rosto. Sempre educados e cortezes, deixaram no chinelo o tratamento que recebemos do Matteo durante nossa passagem pelo deserto boliviano.

Depois da celebração com todo o grupo, fomos dar uma volta pelo acampamento e tomar uma cerveza, afinal tínhamos muito o que comemorar! Infelizmente, ao contrário de todas as indicações que havíamos tido sobre a trilha inca, inclusive da Marisol, descobrimos que havia ducha com água quente por lá. Como não tínhamos sequer toalhas para o banho, nem quis ver como era o banheiro pra não morrer de raiva. Meu cabelo àquela altura era um pasta de fios duros e sujos presos com uma bandana, que estrategicamente escondia o desastre do resto do mundo. As unhas se recusavam a permanecer limpas por mais que eu tentasse dar um jeito no caos. O resto, porém, já havia sido cuidadosamente asseado com baby-wipes, cujo cheiro me enjoa até hoje!

O plano para o dia seguinte era acordar às quatro da matina para chegar à Inti Punku a tempo de ver o sol nascer na cidade sagrada dos incas. Então, nada de ficar perambulando pelo acampamento até tarde! E boa noite.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

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Segundo dia de trilha: o mais bonito!



















As escadarias incas e os incansáveis porteadores.



















Pausa para o almoço e para curtir a paisagem.



















Como ir de 3100m a 4300m? Só subindo! E muito...


















Chegada ao cume. É hora de aproveitar o prêmio!

...e a trilha continua!

16° dia

A noite foi tranquilíssima. Dormi encasacada, mas não senti frio algum durante a madrugada. Acordei no susto com os porteadores sacudindo a nossa barraca. Abri o zíper com aquela cara de sono que Deus me deu e lá estavam eles gentilmente trazendo té de coca quentinho pra gente! Me senti uma rainha, e não pude evitar de lembrar do Matteo lá no salar. Depois de tomar meu chazinho e me arrumar saí no frio pra tomar o primeiro café da expedição. A mesa já estava posta: mingau, chocolate quente, chá, café, pão, marmelada. Tudo ótimo. Ganhamos mais um lanchinho pro dia e seguimos a caminhada.

O segundo dia de trilha é famoso por ser o mais difícil. Eu concordo, mas acrescento: o segundo dia é o mais difícil e o mais especial. Como a trilha é muito puxada, é natural o grupo se dispersar ao longo do dia, cada um seguindo o caminho ao seu ritmo. Com isso, passei a maior parte do percurso sozinha (mas sempre acompanhada por uma legião de turistas), admirando a vista e botando meus pensamentos em ordem. Uma verdadeira terapia que transformou aquele dia numa experiência inesquecível. A paisagem nesse trecho da trilha é também a mais bonita. Depois de subir as escadarias incas por horas, há sempre um vale deslumbrante a nossa espera. Montanhas nevadas, florestas exuberantes e turistas do mundo inteiro abismados, cansados e felizes.

As subidas iniciais são mesmo muito puxadas. As escadarias intermináveis são um legado dos incas, e pensar que pisávamos nas mesmas pedras que eles pisavam nos dava uma energia a mais pra continuar. A Isa decidiu dar um sprint inicial e seguiu na frente. Eu fui num ritmo mais lento, mas no esquema "não pára, não pára, não pára, não!!!" e tentei não me cansar demais. A Bella ficou mais pra trás e a Iraman teve que encarar uma seqüência interminável de câimbras, ficando com a Mabi no fim da fila. Só nos encontramos de novo para o almoço. E o local escolhido para a refeição não podia ter sido melhor. Como não sei descrever com palavras a vista que tivemos nesse dia abençoado, vou postar em seguida as fotos. Tirem as suas próprias conclusões. E babem...

Durante a sobremesa, a Mabi fez o favor de nos mostrar o cume final da nossa última subida, o que deixou as meninas totalmente desestimuladas pra continuar. Eu me sentia reenergizada pelo almoço, mas acho que pra elas a pausa pro descanso teve o efeito contrário. A subida final do dia é realmente muito puxada, fomos de 3100m a 4300m. Acho que a dica é sempre seguir um ritmo, mesmo que seja lento. Mais passos, menos paradas e uma boa respiração. Pelo menos foi assim que funcionou comigo. Cheguei ao cume e aproveitei para tirar fotos espetaculares enquanto esperava as meninas. A Bella chegou com lágrimas nos olhos, emocionada com a conquista do cume! Isa apareceu em seguida e começamos a descida já em direção ao acampamento. Descer também não é moleza, os joelhos reclamam, as pernas tremem, mas pelo menos sobra fôlego pra bater um papo durante a caminhada.

O acampamento do segundo dia é enorme e reúne barracas de diversas agências. Dessa vez, tínhamos banheiro (coletivo, é claro) mas continuávamos sem chuveiro. As unhas já estavam em petição de miséria e o cabelo...nem sei, porque não tive coragem de soltar. E haja baby wipes pra ficar limpinha depois de oito horas de caminhada.

Fizemos um lanchinho rápido (palomitas de maíz deliciosas!) e tivemos um bom tempo pra descansar até a hora do jantar.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

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Ponto final:
Ollantaytambo
Daqui pra frente só a pé!











Difícil é fazer tudo caber na mochila. Será que não nos esquecemos de nada?











Camino inca: começou a aventura!













Bienvenidos!

Começa a Trilha Inca

15° dia

A noite foi péssima pra Isa. Enquanto a gente descansava pra encarar os percalços do dia seguinte, ela passava a noite em claro vomitando no banheiro. Não sabemos exatamente o que se passou, se foi comida, se foi água... o fato é que na manhã seguinte ela estava um trapo. Dona Leda, a dona do hotel, nos serviu o café mais cedo, e às 9 em ponto a Mabi passou para nos buscar. Como a Marisol estava doente, Mabi seria nossa guia pelos próximos quatro dias e embarcou conosco no microônibus que estava buscando os turistas.

Depois de um bom tempo no ônibus, chegamos a Ollantaytambo, cidade base para partir rumo à trilha inca. Aproveitamos a parada para comprar nosso mais novo companheiro de viagem: um bastão de trekking feito de bambu e ornamentado à moda peruana. Viajamos mais alguns minutos e chegamos ao ponto final. Daqui pra frente só à pé. Vai começar a aventura!!

Mas antes de partir, pausa para o almoço. Os porteadores eram tão eficientes que antes que a gente pudesse perceber, a mesa já estava posta e a comida, sendo preparada. Para abrir o apetite, um refresco...quente! Parecia um suco morno de groselha que, depois do estranhamento inicial, ficava uma delícia. Em seguida, uma sopa muito boa acompanhada de um pão de alho melhor ainda e, pra terminar, o bom e velho macarrão! Estava me sentindo num banquete real.

Depois da bomba de carboidratos, chegou a hora de botar o pé na estrada. A trilha começa em um posto de controle e na ponte pênsil. Como o fluxo de turistas é controlado, há que se esperar um bom tempo até que todos estejam devidamente cadastrados e liberados para, então, seguir caminho. Infelizmente, nosso grupo se resumia apenas a nós quatro, apesar de eu ter pedido incansavelmente à Marisol para nos colocar com outros turistas e tornar nossa experiência ainda mais agradável. No entanto, é impossível fazer o percurso sem a companhia de outras dezenas de turistas.

Munidas de protetor solar, repelente, protetor labial, cajado, água e hojas de coca andamos por aproximadamente cinco horas. A Isa sofreu bastante com a subida, pois ainda estava se sentindo muito mal. A trilha no primeiro dia é razoavelmente leve, não fosse o peso da mochila nas costas que estava arrasando com os ombros pouco acostumados com peso. Chegamos ao acampamento pouco depois da hora prevista e já começava a anoitecer. Com ajuda da lanterna, tomamos um banho de lenços umidecidos, os indispensáveis baby-wipes, e desodorante antes do jantar. O cabelo, sempre preso, começava a ficar gosmento e as unhas davam sinais de que não permaneceriam intactas até o quarto dia. Necessidades fisiológicas? No matinho, ué?!

Tomamos um lanchinho para fazer hora pro jantar. Chá, biscoito e o tal "refresco". Ficamos batendo papo na mesa e a Mabi sempre se divertindo contando histórias de terror da região. Pior do que escutar os 'causos' de seres estranhos que habitam aquela selva, era ouvir falar dos acidentes que já ocorreram na trilha: um brasileiro que subiu a trilha de Waynapicchu muito rápido e teve um ataque cardíaco assim que chegou; uma japonesa que foi posar para uma foto e despencou em um barranco ("mais pra trás, mais pra trás..."); e um cara que foi atingido por um raio assim que chegou a Waynapicchu num lindo dia de sol (a melhor parte da história: enquanto ele se sacudia todo com o choque, as pessoas achavam que ele estava comemorando a chegada ao cume!!). Verdadeiras ou não, as histórias da Mabi nos divertiram muito naquele lugar isolado no meio do nada.

Jantamos ali mesmo e não demoramos em nos recolher às nossas respectivas barracas, já que teríamos que estar de pé às seis da manhã no dia seguinte.