Optamos por fazer a travessia Mendoza-Santiago durante a noite já que na ida tivemos a oportunidade de curtir as belezas da Cordilheira dos Andes numa viagem diurna. Dessa vez, o plano era economizar tempo e dinheiro dormindo nas confortáveis poltronas do ônibus da chilena TurBus. A viagem correu bem até nossa tranquila noite de sono ser interrompida por uma longuíssma e gélida espera na fronteira com o Chile. Vamos combinar que não é a melhor rcepção do mundo ficar numa fila interminável, no frio e com os olhos pesando de sono. Ou tínhamos dado muita sorte na aduana ao entrar na Argentina, ou os hermanos do lado de lá são mesmo mais solidários.
Chegando em Santiago, nos acomodamos no mesmo albergue de antes, o Bellavista, e para evitar nos entregar ao cansaço e morrer ali mesmo na cama, saímos o quanto antes atrás de alguma coisa para fazer. Decidimos aproveitar que começava o fim de semana para subir até o Cerro San Cristóbal, o segundo ponto mais alto da cidade e lugar bastante frequentado pelos chilenos. De fato estava bem movimentado e família inteiras, não apenas turistas, aumentavam a fila para o funicular. Mas muita gente prefere subir por outros meios e deu pra perceber que o lugar é um ponto de encontro de ciclistas e corredores, o que me fez lembrar de casa com uma saudade passageira. O Cerro proporciona uma linda vista panorâmica da cidade e da cordilheira, além de dar um gostinho do dia a dia dos moradores de Santiago, como, por exemplo, o hábito de tomar mote con huesillos, uma bebida típica chilena. Tentamos, em vão, descobrir exatamente do que se tratava, então decidimos experimentar por conta própria aquela bebida esquisita e depois deixar o wikipedia terminar o serviço: "es una bebida refrescante chilena, no alcohólica, que se compone de una mezcla de jugo acaramelado, con mote de trigo y duraznos (pêssego) deshidratados, llamados huesillos." Um pouco doce pro meu gosto, mas bastante nutritiva para os atletas que chegam ao cerro depois de uma longa subida.
O tempo começou a fechar novamente e aproveitamos para resolver os últimos detalhes da nossa viagem pro Deserto do Atacama, a começar dali a poucos dias. Para minha surpresa, descolar o contato de algum albergue por lá é uma missão quase impossível. No site oficial de San Pedro constam poucas opções de estadia realmente em conta e havia poucas referências nos fóruns de mochileiros. Como chegaríamos no fim do dia, achamos melhor não arriscar uma peregrinação pela cidade escura e reservamos uma noite no Don Raul, hotel que parecia simples mas que ainda estava além do nosso orçamento. Com o conforto da primeira noite garantida, poderíamos sair em busca de um bom albergue com tranquilidade.
Quando a chuva deu uma trégua, fomos atrás de algum lugar para comer ali mesmo pelo Barrio Bellavista. Era dia de algum jogo de futebol importante para os chilenos e todos os bares estavam cheios, então sentamos no primeiro bar onde pintou uma mesa vazia. "Una cerveza por favor" pedimos rapidamente, querendo entrar também no clima de confraternização antes que aquela barulheira começasse a irritar, "y papas!" já que passava da hora do almoço e o estômago reclamava. Algum tempo sentadas ali e começamos a perceber que todas as mesas ao nosso redor tinham algo em comum: homens. E not in a good way. Guardamos a informação de que estávamos num bar gay de nossos novos amigos - um brasileiro e um inglês - que vieram se sentar com a gente. Se eles repararam alguma coisa foram muito discretos, pois ficamos ainda um bom tempo por lá até os quatro decidirem curtir o resto da noite em algum outro lugar mais animadinho.
Já eu preferi dar uma volta sozinha, acompanhada de meus próprios pensamentos e sentar em um bom café para escrever. Depois de um certo tempo na estrada e sempre acompanhada, começava a sentir falta desses momentos introspectivos e confesso nunca ter vergonha de reinvindicá-los. O resultado? Um caderno cheio anotações e lembranças impagáveis, muitas delas tenho certeza de que minha memória infelizmente apagaria assim que eu desembarcasse no Rio. Dica minha? Nunca saia de casa sem o seu Moleskine, seja ele o original charmosíssimo ou aquele bloquinho da Turma da Monica que você ganhou da sua tia no seu décimo aniversário. O que importa é nunca deixar de registrar suas impressões sobre essa experiência tão rica que é viajar.
Meninas! Pé no chão! E pé na estrada! Vamos deixar a maquiagem de lado, o salto alto pra trás e jogar todas as frescuras pro alto. É hora de botar o mochilão nas costas e encarar as maravilhas e os perrengues que a estrada tem pra oferecer! E boa viagem!
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Relaxando...
Faz parte de um bom albergue, além de oferecer boas instalações, também propiciar o encontro entre mochileiros de todo o mundo - o que vai desde uma boa área de convivência até festas e jantares organizados pelo staff. E o Campo Base não falha em nenhum desses aspectos. Além de garantir uma sala confortável e um bar bem convidativo, também não economiza na hora da confraternização com os hóspedes. Em poucos dias na cidade, já havíamos participado da animadíssima pizza party organizada por eles e o grupo que se formou após nossas cervejadas no bar era o suficiente para garantir a diversão sem sequer botar o pé fora do albergue. E foi exatamente isso que a gente fez na nossa última noite na cidade, depois de um dia meio morto.
As festas que Mendoza proporciona a seus visitantes (ou pelo menos a nós) são perfeitas para fazer amigos, conhecer histórias de vida, aprender sobre países ainda não visitados e encher a bagagem de ótimos "causos", mas sem dúvida podem acabar comprometendo o planejamento da viagem. Afinal, muitas tequilas numa festa não vão te deixar a pessoa mais bem disposta para percorrer a cidade de bicicleta no dia seguinte. Infelizmente, acordamos sem a menor disposição para cumprir mais essa meta da viagem e acabamos por cancelar nosso bike tour, o que foi uma pena, pois seria uma ótima forma de conhecer os arredores. Almoçamos tarde e tiramos o dia para bater perna por ali mesmo e adiantar nossas passagens de volta a Santiago. Mas o dia de ressaca permitiu que a gente passasse mais tempo à toa no albergue e, com isso, encontramos mais gente disposta a fazer uma bagunça por lá mesmo. Tiramos, nós três e mais um casal de gringos, o fim da tarde para organizar um jantar de despedida e encaramos a missão de não só fazer as compras, mas também de cozinhar pra todo mundo.
A trabalheira valeu a pena. No começo da noite, estava um grupo de mais de dez pessoas reunido numa enorme mesa se arriscando na nossa macarronada e degustando um bom vinho argentino. Após a comilança, o vinho continuou nos acompanhando, dessa vez num animado carteado entre aqueles que ainda permaneciam dispostos a curtir a noite.
O dia como o de hoje, provou mais uma vez a necessidade de deixar o roteiro aberto a esse tipo de mudança de planos. Às vezes, ficamos tão preocupados em seguir a risca o planejado, em não perder tempo, em fazer todos os passeios e ver todas as atrações, que deixamos passar momentos como esse de simplesmente curtir o dia, bater papo e fazer novos amigos.
Então, companheiro de estrada, não se sinta culpado se "perder" um dia de viagem para ficar à toa. Às vezes, quando largamos mão do planejado para deixar a viagem simplesmente acontecer é que as melhores surpresas vêm ao nosso encontro.
As festas que Mendoza proporciona a seus visitantes (ou pelo menos a nós) são perfeitas para fazer amigos, conhecer histórias de vida, aprender sobre países ainda não visitados e encher a bagagem de ótimos "causos", mas sem dúvida podem acabar comprometendo o planejamento da viagem. Afinal, muitas tequilas numa festa não vão te deixar a pessoa mais bem disposta para percorrer a cidade de bicicleta no dia seguinte. Infelizmente, acordamos sem a menor disposição para cumprir mais essa meta da viagem e acabamos por cancelar nosso bike tour, o que foi uma pena, pois seria uma ótima forma de conhecer os arredores. Almoçamos tarde e tiramos o dia para bater perna por ali mesmo e adiantar nossas passagens de volta a Santiago. Mas o dia de ressaca permitiu que a gente passasse mais tempo à toa no albergue e, com isso, encontramos mais gente disposta a fazer uma bagunça por lá mesmo. Tiramos, nós três e mais um casal de gringos, o fim da tarde para organizar um jantar de despedida e encaramos a missão de não só fazer as compras, mas também de cozinhar pra todo mundo.
A trabalheira valeu a pena. No começo da noite, estava um grupo de mais de dez pessoas reunido numa enorme mesa se arriscando na nossa macarronada e degustando um bom vinho argentino. Após a comilança, o vinho continuou nos acompanhando, dessa vez num animado carteado entre aqueles que ainda permaneciam dispostos a curtir a noite.
O dia como o de hoje, provou mais uma vez a necessidade de deixar o roteiro aberto a esse tipo de mudança de planos. Às vezes, ficamos tão preocupados em seguir a risca o planejado, em não perder tempo, em fazer todos os passeios e ver todas as atrações, que deixamos passar momentos como esse de simplesmente curtir o dia, bater papo e fazer novos amigos.
Então, companheiro de estrada, não se sinta culpado se "perder" um dia de viagem para ficar à toa. Às vezes, quando largamos mão do planejado para deixar a viagem simplesmente acontecer é que as melhores surpresas vêm ao nosso encontro.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Contagem Regressiva
A menos de duas semanas do dia da viagem, começo a fazer mentalmente a lista de coisas ainda pendentes. Roteiro definido: ok. Albergues escolhidos: ok. Documentos: ok. Fíbula fraturada: ok. Ops, mas isso não estava no script!!!
Pois é assim que eu me encontro faltando 15 dias para botar o pé na estrada. De bota robocop e muletas, estou há seis dias de molho em casa sem poder pisar no chão nem pra tomar banho! Estou com uma fratura por estresse na fíbula direita devido aos meus treinos de corrida. Me disseram que exagerei, eu digo que me empolguei. Encontrei algo que me dá muito prazer e pretendo retomar meus treinos assim que voltar das férias, mas, no momento, estou mais preocupada em me recuperar a tempo de poder fazer uma viagem tranquila e sem maiores problemas. Ninguém merece ficar com dores no tornozelo em pleno deserto do Atacama ou, pior ainda, durante o trekking de Mendoza. Mas estou bastante confiante de que semana que vem sairei da minha consulta ao ortopedista sem bota, sem muletas e, principalmente, sem dor.
Vendo as coisas pelo lado positivo, posso comemorar porque ganhei muitos dias livres em casa para ajeitar as últimas pendências relativas a viagem. Já estão escolhidos os três albergues onde ficaremos hospedadas, mas só fizemos a reserva no primeiro, em Santiago. Como faremos uma trilha de dois dias em Mendoza, nossas diárias dependerão dessa noite em que dormiremos fora (muito provavelmente em Uspallata). Combinei com a equipe do albergue Campo Base que acertaremos tudo assim que chegarmos a Mendoza. Quanto ao Atacama, ainda nada decidido - deixamos para comprar as passagens no próprio aeroporto de Santiago, já que o preço, se comprada aqui no Brasil, é absurdamente mais alto. Com isso, preferimos deixar para fazer o contato com albergue apenas quando estivermos com as passagens em mãos. Mas já elegemos nossos preferidos:
- Santiago: Hostel Bellavista
http://www.bellavistahostel.com/
- Mendoza: Hostel Campo Base
http://www.hostelcampobase.com.ar/
- San Pedro: Don Raul
http://www.donraul.cl/
Ainda faltam acertar aqueles últimos detalhes bastante chatos, mas de grande importância. Seguro de viagem (ninguém deve viajar sem um, a gente nunca sabe o que pode acontecer) e troca de dinheiro (estamos com um orçamento de 70 dólares por dia, já incluindo os passeios, alimentação, estadia e passagens terrestres). De forma alguma pretendemos repetir os erros do passado, até porque pisar na bola duas vezes já é burrice. Dessa vez, o cartão de crédito viaja junto como integrante fundamental para o sucesso da expedição e bem estar das viajantes. Que alegria!
*************************************
DICA: Ao usar cartão de crédito em viagens para o exterior, nunca deixe de avisar a operadora do cartão sobre o destino e a duração da viagem. Qualquer movimentação suspeita com o seu cartão (se não for devidamente avisada) pode causar o bloqueio do mesmo e, claro, muita dor de cabeça. Uma simples ligação evita todo esse transtorno.
Pois é assim que eu me encontro faltando 15 dias para botar o pé na estrada. De bota robocop e muletas, estou há seis dias de molho em casa sem poder pisar no chão nem pra tomar banho! Estou com uma fratura por estresse na fíbula direita devido aos meus treinos de corrida. Me disseram que exagerei, eu digo que me empolguei. Encontrei algo que me dá muito prazer e pretendo retomar meus treinos assim que voltar das férias, mas, no momento, estou mais preocupada em me recuperar a tempo de poder fazer uma viagem tranquila e sem maiores problemas. Ninguém merece ficar com dores no tornozelo em pleno deserto do Atacama ou, pior ainda, durante o trekking de Mendoza. Mas estou bastante confiante de que semana que vem sairei da minha consulta ao ortopedista sem bota, sem muletas e, principalmente, sem dor.
Vendo as coisas pelo lado positivo, posso comemorar porque ganhei muitos dias livres em casa para ajeitar as últimas pendências relativas a viagem. Já estão escolhidos os três albergues onde ficaremos hospedadas, mas só fizemos a reserva no primeiro, em Santiago. Como faremos uma trilha de dois dias em Mendoza, nossas diárias dependerão dessa noite em que dormiremos fora (muito provavelmente em Uspallata). Combinei com a equipe do albergue Campo Base que acertaremos tudo assim que chegarmos a Mendoza. Quanto ao Atacama, ainda nada decidido - deixamos para comprar as passagens no próprio aeroporto de Santiago, já que o preço, se comprada aqui no Brasil, é absurdamente mais alto. Com isso, preferimos deixar para fazer o contato com albergue apenas quando estivermos com as passagens em mãos. Mas já elegemos nossos preferidos:
- Santiago: Hostel Bellavista
http://www.bellavistahostel.com/
- Mendoza: Hostel Campo Base
http://www.hostelcampobase.com.ar/
- San Pedro: Don Raul
http://www.donraul.cl/
Ainda faltam acertar aqueles últimos detalhes bastante chatos, mas de grande importância. Seguro de viagem (ninguém deve viajar sem um, a gente nunca sabe o que pode acontecer) e troca de dinheiro (estamos com um orçamento de 70 dólares por dia, já incluindo os passeios, alimentação, estadia e passagens terrestres). De forma alguma pretendemos repetir os erros do passado, até porque pisar na bola duas vezes já é burrice. Dessa vez, o cartão de crédito viaja junto como integrante fundamental para o sucesso da expedição e bem estar das viajantes. Que alegria!
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DICA: Ao usar cartão de crédito em viagens para o exterior, nunca deixe de avisar a operadora do cartão sobre o destino e a duração da viagem. Qualquer movimentação suspeita com o seu cartão (se não for devidamente avisada) pode causar o bloqueio do mesmo e, claro, muita dor de cabeça. Uma simples ligação evita todo esse transtorno.
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