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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

PAUSA PARA FOTO


Vista panorâmica do Cerro San Cristóbal











Cerro San Cristóbal










Aqui tem Mote con Huesillo. Tem o quê?











Mote con Huesillo, ué!

De volta a Santiago

Optamos por fazer a travessia Mendoza-Santiago durante a noite já que na ida tivemos a oportunidade de curtir as belezas da Cordilheira dos Andes numa viagem diurna. Dessa vez, o plano era economizar tempo e dinheiro dormindo nas confortáveis poltronas do ônibus da chilena TurBus. A viagem correu bem até nossa tranquila noite de sono ser interrompida por uma longuíssma e gélida espera na fronteira com o Chile. Vamos combinar que não é a melhor rcepção do mundo ficar numa fila interminável, no frio e com os olhos pesando de sono. Ou tínhamos dado muita sorte na aduana ao entrar na Argentina, ou os hermanos do lado de lá são mesmo mais solidários.



Chegando em Santiago, nos acomodamos no mesmo albergue de antes, o Bellavista, e para evitar nos entregar ao cansaço e morrer ali mesmo na cama, saímos o quanto antes atrás de alguma coisa para fazer. Decidimos aproveitar que começava o fim de semana para subir até o Cerro San Cristóbal, o segundo ponto mais alto da cidade e lugar bastante frequentado pelos chilenos. De fato estava bem movimentado e família inteiras, não apenas turistas, aumentavam a fila para o funicular. Mas muita gente prefere subir por outros meios e deu pra perceber que o lugar é um ponto de encontro de ciclistas e corredores, o que me fez lembrar de casa com uma saudade passageira. O Cerro proporciona uma linda vista panorâmica da cidade e da cordilheira, além de dar um gostinho do dia a dia dos moradores de Santiago, como, por exemplo, o hábito de tomar mote con huesillos, uma bebida típica chilena. Tentamos, em vão, descobrir exatamente do que se tratava, então decidimos experimentar por conta própria aquela bebida esquisita e depois deixar o wikipedia terminar o serviço: "es una bebida refrescante chilena, no alcohólica, que se compone de una mezcla de jugo acaramelado, con mote de trigo y duraznos (pêssego) deshidratados, llamados huesillos." Um pouco doce pro meu gosto, mas bastante nutritiva para os atletas que chegam ao cerro depois de uma longa subida.

O tempo começou a fechar novamente e aproveitamos para resolver os últimos detalhes da nossa viagem pro Deserto do Atacama, a começar dali a poucos dias. Para minha surpresa, descolar o contato de algum albergue por lá é uma missão quase impossível. No site oficial de San Pedro constam poucas opções de estadia realmente em conta e havia poucas referências nos fóruns de mochileiros. Como chegaríamos no fim do dia, achamos melhor não arriscar uma peregrinação pela cidade escura e reservamos uma noite no Don Raul, hotel que parecia simples mas que ainda estava além do nosso orçamento. Com o conforto da primeira noite garantida, poderíamos sair em busca de um bom albergue com tranquilidade.
 
Quando a chuva deu uma trégua, fomos atrás de algum lugar para comer ali mesmo pelo Barrio Bellavista. Era dia de algum jogo de futebol importante para os chilenos e todos os bares estavam cheios, então sentamos no primeiro bar onde pintou uma mesa vazia. "Una cerveza por favor" pedimos rapidamente, querendo entrar também no clima de confraternização antes que aquela barulheira começasse a irritar, "y papas!" já que passava da hora do almoço e o estômago reclamava. Algum tempo sentadas ali e começamos a perceber que todas as mesas ao nosso redor tinham algo em comum: homens. E not in a good way. Guardamos a informação de que estávamos num bar gay de nossos novos amigos - um brasileiro e um inglês - que vieram se sentar com a gente. Se eles repararam alguma coisa foram muito discretos, pois ficamos ainda um bom tempo por lá até os quatro decidirem curtir o resto da noite em algum outro lugar mais animadinho.


Já eu preferi dar uma volta sozinha, acompanhada de meus próprios pensamentos e sentar em um bom café para escrever. Depois de um certo tempo na estrada e sempre acompanhada, começava a sentir falta desses momentos introspectivos e confesso nunca ter vergonha de reinvindicá-los. O resultado? Um caderno cheio anotações e lembranças impagáveis, muitas delas tenho certeza de que minha memória infelizmente apagaria assim que eu desembarcasse no Rio. Dica minha? Nunca saia de casa sem o seu Moleskine, seja ele o original charmosíssimo ou aquele bloquinho da Turma da Monica que você ganhou da sua tia no seu décimo aniversário. O que importa é nunca deixar de registrar suas impressões sobre essa experiência tão rica que é viajar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

La Chascona e Mercado Central

2° dia

A chuva não deu trégua a noite toda e o dia amanheceu feinho, feinho... Mas nem por isso desistimos da idéia de caminhar até La Chascona, a antiga casa de Pablo Neruda em Santiago. O museu fica muito perto do nosso hostel e uma caminhada por ali parecia um bom ponto de partida para conhecer a cidade, mesmo com o tempo ruim.

Bellavista é sim um bom hostel mas, como em muitos albergues por aí, o café da manhã é aquela dureza. Uns pães esquisitos (por sinal, iguais aos pães horríveis que a gente comia na Bolívia), manteiga, marmelada e café - o suco (natural da caixinha...) já tinha acabado quando a gente chegou. Mas a comilança não era das piores: o pão quando esquentado ficava razoável, o café tava saboroso, o suco devia ser gostosinho. O único problema eram os turistas mesmo, muito mal-educados! É aquela velha história, ao longo de uma hospedagem em albergue você tem a sorte de conhecer muita gente legal, mas também dá o azar de cruzar com uma galera que não prima pela limpeza nem pela boa educação. Paciência. Faz parte.

Deixamos os ogros se matando por um pãozinho na cozinha do hostel e fomos encarar o frio lá fora. As ruas ainda estavam vazias quando a gente saiu: além da chuva fina, era domingo. Foi gostoso passear pela cidade fantasma e fria, escutando apenas nossas risadas nervosas com o frio, mas felizes pela viagem que estava começando.

La Chascona foi a casa que Neruda mandou construir para Matilde, sua amante, e onde eles viveram juntos por muitos anos. A casa por si só já vale a visita, um lugar muito diferente, que conta com três ambientes interligados por escadas, pátios e até um rio. Fora isso, lá também estão inúmeros objetos de coleção do poeta - quadros, antiguidades, peças de decoração - assim como utensílios do dia a dia, como livros, cartas e louça. Apesar do vandalismo cometido pelos militares na época de sua morte, a casa se tornou um belíssimo museu que conta com visitas guiadas a toda hora e uma loja de souvenir irresistível.

Logo que chegamos, sentamos na lojinha do museu pra tomar um café bem quente e esperar pelo nosso grupo, que não demorou a sair. A visita durou aproximadamente 30 minutos e foi um mergulho na vida e na obra de Pablo Neruda. Aos poucos a gente começava a se interar melhor sobre importantes acontecimentos da história do Chile, que até então nunca havíamos dado muita atenção. E não paramos de aprender até a hora de voltar pra casa.

Depois da visita inspiradora a La Chascona, decidimos pegar o metrô até o Mercado Central e procurar algum lugar para almoçar, já que a chuva não dava trégua. Logo na chegada, fomos abordadas por um simpático garçom brasileiro que nos indicou o restaurante El Galeón. Não sei o que acontece com a gente, se são as roupas, o semblante, o cheiro, a voz... todo mundo sabe que somos brasileiras de longe, sem pronunciarmos uma palavra sequer. Muito estranho! Enfim... Antes de comer tentamos dar uma volta pelo Mercado para ver os peixes e mariscos recém chegados do mar do Pacífico, mas andar por lá não é tarefa fácil para um turista, ainda mais quando se trata de três mulheres sozinhas e com "brasileiras" escrito na testa, como nós. Fomos tão abordadas, que se locomover nos estreitos corredores do mercado ficou impossível, e assim que tivemos uma oportunidade, caímos fora dali - direto pro El Galeón!

O restaurante mais famoso do Mercado Central de Santiago é o Donde Augusto, obviamente o maior, o mais cheio e o mais caro também. Preferimos seguir o conselho do nosso novo amigo garçom e nos refugiamos no aconchegante El Galeón prontas para encarar um típico almoço chileno, mesmo que para isso gastássemos um pouquinho a mais do que previa o orçamento diário. De cara um bom vinho, (começou nesse dia a tradição de fotografar todos - e foram muitos - os vinhos consumidos ao longo da viagem) e um excelente ceviche pra abrir o apetite! Por fim, um pescado con ensalta. Delícia. Estávamos prontas pra próxima parada!

Chove, chove, chove, chuuuuuuuuuuva....

O tempo não estava ajudando o nosso momento "vamos bater perna e seguir sem rumo pela cidade"! Ali perto do Mercado fica o Centro Cultural Mapuche, mas não tinha nada rolando por lá quando chegamos. Com o frio e a chuva apertando, não tínhamos escolha a não ser voltar pro albergue. Antes, uma passada na rodoviária pra garantir nossas passagens para Mendoza. Como teríamos mais um fim de semana em Santiago antes de partir pro Atacama, nem tudo estava perdido.

A noite em Bellavista é super animada e o Patio Bellavista é uma boa pedida pra quem está atrás de restaurantes, bares, cafés e lojinhas de souvenir. Depois da noitada da véspera e já pensando na viagem do dia seguinte, nos contentamos com uma pizza e algumas cervejinhas no pub Dublin para depois voltar e cair na cama.


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La Chascona: maiores infos no site http://www.fundacionneruda.org

Restaurante El Galeón - Mercado Central de Santiago
www.elgaleon.cl
www.mercadocentral.cl/

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Pé na estrada

26/6/09 - 1° dia


Às três da madrugada toca o despertador anunciando a hora de chamar o táxi e partir pro aeroporto. Àquela hora da matina ninguém raciocinava muito bem e nós três entramos mudas e saímos caladas do carro. A fila do check-in só piorou nosso estado semi-acordado e uma vez no avião, pegamos no sono antes mesmo do decolar.

Vôo tranquilo e energias renovadas. Mas só até dar de cara com a fila monstruosa no aeroporto de São Paulo. Inacreditável e totalmente desnecessária! Não entendo pra quê revistar todas as pessoas que já passaram por toda aquela chatice no outro aeroporto. Pegamos o vôo pra Santiago já famintas e ainda recebemos de cara a agradável notícia de que nosso avião atravessaria uma área de instabilidade. A-do-ro quando o piloto bota esse terror. Resultado: o serviço de bordo foi interrompido assim que a aeromoça serviu o passageiro sentado na minha frente. Todos comiam a nossa volta, menos a gente. Ótimo! Famintas e encagaçadas com a turbulência.

Enfim comemos, dormimos, assistimos filmes ótimos e pronto: chegamos em Santiago do Chile por volta das 13h. Saímos em busca das passagens para Calama, pois já sabíamos que ia sair muito mais em conta comprá-las no próprio aeroporto. E de fato era - U$D 300.

Quando conseguimos escapar do assédio de uma enxurrada de taxistas, pegamos o Metrobus e em seguida o metrô para chegar no nosso albergue Bellavista. Ótima localização, perto do metrô e de uma infinidade de bares e restaurantes. O plano era chegar no albergue, largar as mochilas no quarto e sair em busca de um almoço decente, mas assim que pisamos no hostel a Marcia descobriu que tinha perdido a carteira (ou que alguém tinha dado sumiço nela). Aí, toca de sair correndo pro metrô, falar com segurança, moça do guichê, faxineira e nada... O jeito era se conformar e deixar isso pra trás, coisa que a dona a carteira fez com o seu bom humor e otimismo de sempre. Não adianta, viagem tem que ser em boa companhia e eu estava entre as melhores!!

Próxima parada, almoço! Peloamordedeus! Enquanto a Marcia tomava as providencias em relação ao cartão de crédito, Ira e eu nos acomodamos felizes no Galindo, um restaurante charmosinho perto do Bellavista Hostel. Antes de mais nada, "una cerveza, por favor!". Depois da segunda - ou seria a terceira - garrafa, enfim comemos. Eu quis começar fazendo jus à fama dos pescados do Chile e pedi um salmão com papas. Já as meninas preferiram arriscar um prato mais típico ainda e mandaram ver no pastel de choclo. Se é bom ou ruim, vai do gosto de cada um, mas vamos dizer que não foi a refeição preferida delas.

De volta ao albergue, ficamos sabendo que haveria um assado - o famoso churrascão - no hostel La Chimba, e que todos estavam convidados. A idéia agradou, claro, e partimos pra lá depois de uma boa e merecida soneca. Como chovia cântaros e fazia um frio desgraçado, o churrasco não estava mais rolando quando a gente chegou, o que foi compensado com muito vinho ao pé da lareira com nossos novos amigos brasileiros. A empolgação da primeira noite ainda nos levou ao bar Constituicion para algumas doses de tequila, cerveja e muita música.

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La Chimba Hostel - E. Pinto Lagarrigue 262, Barrio Bellavista, Santiago


Bar Constituicíon - Rua Constituicíon n°61


Restaurante Galindo – Rua Dardignac, n° 98

sábado, 9 de janeiro de 2010

Na mochila

Fazer a mochila deveria ser uma etapa muito divertida por tudo o que esse ato representa, mas confesso que odeio organizar a mala. Morro de preguiça e invariavelmente deixo pra última hora. Começo vagarosamente separando tudo o que me parece indispensável para a viagem levando em consideração o clima, os eventos, os passeios. Depois é hora de pensar nos itens de higiene e farmácia e descobrir que não tem absolutamente nada daquilo em casa. Adicionar à lista de coisas a fazer: "passar na drogaria urgente!". Em seguida, pensar nos eletrônicos: câmera, bateria, recarregador, pilhas, cabo usb, ipod, cartão de memória. E a lista cresce: "comprar pilha", "recarregar baterias", "comprar fita mini dv". E aí já deu pra perceber que não vai dar tempo de terminar tudo e é hora de estabelecer prioridades. É quando percebo que não tenho um único par de meias limpo na gaveta e a lista ganha, em letras garrafais, o item de maior urgência: LAVAR ROUPA!!!


No fim das contas tudo entra nos eixos como sempre e, mesmo aos trancos e barrancos, posso afirmar com orgulho que nunca esqueci nenhum item de extrema importância, apesar de sempre deixar metade das coisas para trás - afinal trata-se de um mochilão de 80L. Com o passar dos anos, tenho conseguido levar cada vez menos bagagem, uma verdadeira arte!!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Próximo destino

Falei tanto em sonhar e partir e até agora não apresentei nosso novo destino. Digo nosso, porque, mais uma vez, não estarei sozinha nessa nova empreitada. Da expedição original a Bolívia e Peru restamos apenas Iraman e eu, mas ganhamos uma nova companheira de aventuras: nossa velha amiga Marcia. Faltando apenas quinze dias para botarmos o pé na estrada juntas novamente, temos a certeza de que outra grande aventura nos espera: Santiago, Mendoza e, por fim, San Pedro do Atacama. Se quando partimos há quatro anos, Machu Picchu era nosso maior objetivo e grande sonho de consumo, dessa vez, o deserto do Atacama é a verdadeira estrela da viagem. Enquanto Santiago entrou no roteiro pelo motivo óbvio, Mendoza surgiu a princípio como passeio de fim de semana, mas aos poucos foi recebendo a atenção merecida. Há alguns meses, estava tão empolgada com tudo o que havia descoberto sobre a região, que até deixei o deserto chileno de lado por um tempo. Infelizmente, o que mais me atraiu na nossa passagem pela Argentina teve que ficar de lado: a trilha de três dias até o acampamento base do Aconcágua, chamado Plaza Francia, só poderia ser feita a partir de meados de novembro, tarde demais para nosso cronograma. Minha decepção na hora foi enorme, mas são coisas que a gente tem que saber lidar na hora de planejar uma viagem: nem sempre dá pra fazer tudo de uma vez só. Como consolo, decidimos fazer um trekking de dois dias pela região da Alta Montaña, de onde iremos, como consolo, apenas avistar o Aconcágua. Ao invés de duas noites acampadas em barracas na montanha, um pernoite em (aparentemente) confortáveis chalés . Pensando bem, não me parece má idéia.

Mas não pensem que andei todos esses anos apenas sonhando em partir. Meus trinta dias de férias são sagrados e nunca desperdiçados. Viajei pelo nordeste brasileiro - Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte - pela Argentina - Buenos Aires e Bariloche - e fiz "aquele" mochilão simbólico, quase um rito de passagem, pela Europa - Itália, República Tcheca, Alemanha, França e Espanha. Não sei bem por que deixei de relatar minhas andanças pelo mundo nesses últimos anos, nem mesmo por que resolvi voltar a escrever agora. Mas uma coisa é certa: estou sentindo a mesma ansiedade e a mesma alegria de quatro anos atrás, quando botei, pela primeira vez, um mochilão nas costas e saí por aí. E me deu uma vontade danada de dividir com todo mundo minha nova aventura.